Archive for Novembro, 2014

Estórias de Meninas – A Irmã Cabeleireira
Novembro 29, 2014

Menina

Entrei no balneário!

Não vi ninguém!

Apenas o eco do secador denotava alguma invisível presença.

A minha amiga seguiu o som, deu uns passos, e retorquiu sorridentemente admirada:

– Olha lá para aquilo!

Aproximei-me, e experimentei a sua sensação, ao olhar para duas crianças.

Um menina, talvez com três ou quatro anos, envolta numa toalha-roupão de tons lilás, com bonecos estampados, ignorava o capuchinho caído nas suas costas, segurando magicamente os seus elásticos, pretos e densos caracóis.

Perto de si, com ar fugidio, encontrava-se um menino mais baixo, mas com cara de mais velho do que ela, a quem insistia secar-lhe um pequeno cabelo alourado sem vestígios de estar molhado!

E… persistindo no seu papel de zelosa mãe, puxava-o, voltava-o… gesticulando, dando pequenos e vitoriosos saltinhos!

E… neste mundo de fantasia, ele permitia, e ela sorria!

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Ecos do Coração
Novembro 29, 2014

Tesouros Marinhos, 2012

Há dias em que a dor despedaça o nosso peito e silencia a voz dos nossos lábios perdida nos ecos do coração.

A Menina Azul – Quando Eu Nasci…
Novembro 28, 2014

A Menina Azul

Eu nasci… alegre!

Era uma menina azul como o dia, que brilhava, que também nascia, e que sorria!

Os meus pais estavam muito contentes por eu ser uma menina como gostariam!

No dia em que eu nasci, estava maresia, pois ainda era inverno, mas só por mais uns dias!

Ouvi o mar dar saltos de alegria, e percebi logo que ele queria brincar comigo!

Fiquei feliz por ter um grande amigo, que morava mesmo ali ao meu lado!

Pestanejei, e sorri para dentro!

Sim!

No dia em que eu nasci, eu já conhecia o sorriso, e sabia que iríamos esconder muitos segredos!

Não me lembro de ter ouvido o vento, que tão bem canta e assobia!

No dia em que eu nasci, escolheram-me um nome muito bonito!

Mas, os membros mais carinhosos da família acrescentaram-lhe -ita!

E iam-lhe roubando vogais, mas rimava com alentejanita!

E eu cogitava… “Quando eu for grande, ainda vão chamar-me Rita!”

No dia em que eu nasci, apaixonei-me logo pelo doce sorriso do meu paizinho, e pela sua terna e sábia serenidade!

Quando ele segurou na minha “manita”, encheu-a de pérolas do mar e de chaves, para eu abrir as portas do sol à primavera da vida!

A Pena da Pena
Novembro 28, 2014

Praia com Canteiro, 2014

Com a pena tudo o homem escrevia!

Com pena o homem ainda escreve!

Que pena, que a pena só fale e não sorria!

Adivinha!
Novembro 28, 2014

Sol nublado, 2014

Adivinha! Adivinha!

Adivinha!

Quem é?

Quem é?

 

Bem-vindo iluminado

Olho azulado acinzentado

Marinheiro acordado

 

Dançarino em todo o telhado

Ilustre filho da noite desnudado

Amoroso, solarengo ou nublado

 

Sou eu, sim! O BOM DIA!

O Poder do Amor
Novembro 27, 2014

Ondas Preguiçosas, 2012

No sofrer e no chorar só o poder do amor te pode libertar!

O Barco de Papel – 4.ª Página
Novembro 27, 2014

O Barco de Papel

No Barco de Papel também havia um Marinheiro-Corajoso, o Ursinho Pimpão, que não tinha medo de nada!

Nem de monstros da terra, nem do ar, nem do mar!

Nem de gatos que miavam nos telhados em janeiro, que se assanhavam com os cães, e que fugiam da água fria!

Nem do escuro, porque sabia que as estrelas estavam escondidas nas fofas nuvens, e que de olhos bem abertos, com o tato e com a sua inteligência saberia desviar-se do perigo!

Nem dos trovões, que os relâmpagos anunciavam, e que depois fugiam com medo do Flecha, o cão que os assustava!

Nem dos homens maus, porque mesmo quando sorriam, e queriam ser gentis com ele ou com as crianças, ele percebia logo que eram muito feios, por isso, chamava-as para junto de si, e não lhes respondiam!

Nem das unhas compridas da namorada do tigre, porque ela não gostava do seu pelo macio!

Nem das piteiras onde cresciam os figos redondos, gorduchos, cobertos de picos, que o lavrador Sem-Medo descascava como se fossem clementinas, as irmãs das tangerinas!

Nem das flores que se chamavam dente-de-leão, porque nem dentes tinham, e eram bonitas!

Nem dos cabeçudos, porque eram amigos dos palhaços, também gostavam das crianças, e queriam fazê-las rir, mesmo quando estavam tristes, e tinham vontade de chorar!

Nem dos ladrões, pois fechava sempre a porta à chave, não a abria a ninguém, e não se aproximava nem falava com desconhecidos!

Nem de ficar mal disposto, porque só comia doces e bebia sumos quando ia a festas, e poucos.

(continua)

A Visita da Esperança
Novembro 26, 2014

Mar Choroso, 2014

– Olá! Lembras-te de mim?

– Não!

– Sou a verdejante esperança!

–  Ah! Então és o relvado onde os jogadores correm, magoam-se, chutam a bola, e marcam os golos?…

– Não! Eu sou o sol madrugador de todos os dias da tua vida!

– Ah! Então és a brisa que me alegra quando abro a janela, e respiro a luz do dia?

– Sim! E também sou o sorriso que trazes no peito, e que te sussurra que vais vencer!

– Ah! Então és o ânimo quando afasta a melancolia que é amiga da tirania?

– Sim! E também sou a tua força impulsionadora das vitórias!

– Ah! Então és a amiga invisível que me visita várias vezes ao dia?

– Sim! E também sou a voz da tua serenidade, da tua harmonia, das tuas vitórias!

– Ah! Então és a paz e a coragem que renasce dentro de mim em cada instante?

– Sim! E também sou a boa nova que te saúda nesta viagem! Sou o verde harmonioso que me identifica! Sou o vermelho pleno de força, de entusiasmo e de vigor! Sou o laranja da autoconfiança e do conhecimento prático! Sou o amarelo otimista! Sou o azul da elevada inteligência…

– Ah! Então és o brilhante do branco?

– Sim! E também sou o que há de melhor em ti, árvore, de mais bonito em ti, mar, de mais luminoso, em ti estrela, de mais enérgico e de mais perspicaz em ti, vitória , meu irmão, meu amigo!

As Brincadeiras da Nita e do Nito – O Jogo das Letras
Novembro 26, 2014

A Janela da Muralha

Naquele dia, a Nita e o Nito encontraram-se novamente no seu local preferido.

Encostaram-se à muralha e permaneceram em silêncio.

Ao fundo, o azul do mar sereno e silencioso acenava às gaivotas, que sobre ele dançavam e cantavam, cantavam!

Uma delas, a mais ágil, trazia no bico fragmentos de uma vela perdida e amarelecida pelo tempo.

Fazia piruetas rápidas!

O Nito comentou:

– Está maluca, a Branquinha! Passou pela taberna, e deve ter bebido o bafo do mata-bicho de algum pescador!

– Não sejas parvo, Nito! – repreendeu a Nita.

O menino não gostou da observação, mas permaneceu calado, amuado!

– Olha lá, Nito! A Branquinha já nos viu! Até parece que a nossa amiga está a escrever-nos com o bico.

A Branquinha deixou graciosamente suspensa no céu a sua alegria, desenhando uma mensagens de: “Bem-Vindos!”

– Viste? Viste, Nito? Eu não disse? – insistiu a menina.

– Desta vez, acertaste, Nita! Mas, vamos fazer um jogo! – concordou o menino, fazendo uma proposta!

– Está bem, mas hoje não me apetece jogar à bola! – declarou a menina.

– Não estava a pensar nisso, mas em fazermos um jogo de palavras. Imagina que estamos a olhar para a Ilha, e a ver o que lá se passa – explicou-lhe o amigo.

– É giro! E depois começamos  a brincar às letras, a pegar em palavras que nos venham à cabeça, a construir frases, a jogar com a nossa imaginação, a desenhar histórias multicoloridas? Posso começar? – acolheu a Nita, entusiasmada, imaginando-se a fazer uma redação daquelas que a professora elogiava.

– Podes! – confirmou o amigo.

Riram-se um para o outro!

– No silêncio matinal ondulado pelo doce espreguiçar das ondas, acariciando as rochas que circundavam a Ilha, as gaivotas sentinelas, comandadas pela Branquinha olhavam em redor! -descrevia a menina, olhando fixamente para o infinito.

A Nita parou, e sorriu para o Nito, que estava de boca aberta, mas que, com um ar atrevido, não se fez esperar.

– O sol aquecia os braços nus das mouritas pesseguitas, e cintilava nas suas pulseiras de conchas de madrepérola! A brisa agitava as tiras de algas disfarçadas de saias, e o céu mudava de cor perante a beleza das elevações que sobressaiam nos esbeltos troncos femininos.

A Nita, um pouco corada, apressou-se:

– A areia beijava os seus pés nus, e o mar preparava-se para aplaudir as vitórias contra os cobiçosos!

O Nito não lhe quis ficar atrás, e prosseguiu:

– Os colares de búzios agitavam-se nos seus peitos! As coroas de flores prendiam os seus sedosos cabelos, e embriagavam a atmosfera!

Era a vez da Nita:

– As redes que seguravam nas suas finas e firmes mãos ensaiavam balanços de arremesso!

– Os pescadores preparavam a ementa para o banquete, e o comandante, estupefacto, tomava fôlego para dar o ponto de partida ao combate!…

– Que combate, Nito? – perguntou a Nita!

– Ora! Contra os piratas que queriam conquistar a Ilha das mouritas pesseguitas!

– E conseguiram?

– Achas?!… Claro que não, porque elas eram especialistas no arremesso de pêssegos da ilha, e venceram-nos!

– Ah! Ah! Ah! Que divertido, Nito! E os pescadores?

– É para que saibas que aqui o Nito tem boas ideias!  Os pescadores, como todos os homens da ilha, exceto o comandante, estavam ao serviço das ilhoas!

– Tens, pois!  Mas, não achas que é boa ideia irmos para casa?

– Tens razão, pitinha!

– Para de me chamares nomes, Nito! És mais alto do que eu, mas já viste que em ideias isso não acontece! Isto é uma operação aritmética que poucos sabem resolver: um graudinho igual a uma miudinha!

O Nito não conteve um sorriso! Tocou na cabeça da amiga e tratou-a por:

– Espertinha!

A Nita respondeu-lhe com um sorriso.

E os amiguinhos afastaram-se da muralha, desceram as escadas e atravessaram o castelo, dirigindo-se para o portão cheio de histórias que eles iriam inventar!

Quando Eu For Grande – Vigésimo Oitavo Desejo
Novembro 26, 2014

Menina GrandeQuando eu for grande, quero ser uma corneta!

A corneta do Amor!

Quero percorrer os corações com os meus hinos de alegria com notas de um saber amar incondicional!

Quero mostrar ao mundo que o amor é a pedra preciosa mais pura, mais facetada e mais valiosa que foi concedida ao Homem!

Quero transformar o orvalho das flores do amor em pérolas como o choro da criança, derretendo-se em sorridentes beijos!

Quero cantar o amor com notas de maresia numa inefável sinfonia onde a noite tem o brilho da luz dourada do dia!

Quero convidar a humanidade a amar o amor, a ser grande na entrega e grande no perdão, a saciar o coração!