A Ira e a Lamentação do Sr. Vento
Dezembro 1, 2017

O Sr. Vento está a bater à persiana e a subir e descer ao telhado, muito irado! Coitado!

Andou à procura dos papagaios de papel, mas não os encontrou; ficou amuado, porque gostaria de voltar a pôr os meninos a fazer ginástica, enquanto ele puxava pelas asas dos seus voadores brinquedos, e, simultaneamente, pelos divertidos rapazes.

O Sr. Vento também não pode brincar à apanhada com os meninos, roubando-lhes os chapéus, porque a moda são os bonés, com ou sem sol, ou os gorros.

E as meninas? Quem usa saias para o Sr. Vento as envergonhar, levantando-lhas, para elas protestarem e tentarem segurá-las? Ainda se tivessem frio nos buracos das calças de ganga!
E chapéus? Também não usam! Preferem casacos com capuzes e pelinho a fazer cócegas no rosto ou golas para enrolaram a cabeça nelas!

E…

O Sr. Vento grita, bate e estrebucha, deixando tudo assustado, arrepiado e gelado, lamentando-se, coitado!

” – Que triste sina a minha!
Até os bebés não andam ao colo das mães para ficarem quentinhos e sentirem o seu coração; têm os seus carrinhos onde vão sentadinhos ou deitadinhos, muito bem agasalhadinhos e tapadinhos!
Já não tenho com quem brincar!
Já ninguém chama por mim!
Já ninguém gosta de mim!
Tornei-me o Sr. Vento!
Quem tristeza que sinto!
E ainda é maior a minha dor, porque muitos meninos e meninos não têm casa, nem abrigo e… se me aproximasse deles, não seria seu amigo, porque tenho sangue frio e eles precisam é de calorzinho!
Que pena!
Sinto-me tão sozinho, e pobrezinho, por isso ando todo zangadinho!
Ah! Se pudesse ir à televisão, explicava-me, mas… ao entrar andaria tudo no ar…
Vou-me retirar-me, e chamar a chuva para a Terra alimentar!”