Histórias de Fantoches – Conversa com Bia, 4.ª Página

– Gosto muito de azul, daquele do meu clube de futebol e do meu avô, que também é azul, de: calções, calças, casacos e bonés. E gosto muito de piqueniques no pinhal com um baloiço.

– Já percebeste que sou crescida, não é verdade?

– Sim, Bia! És maior do que eu, mas ainda és uma menina; uma menina grande, já se vê – vou desenhar-te muito bem!

– Obrigada, Pasquito! Ainda não te disse que eu já trabalho, pois não?

– Não sabia, Bia!

– Estou empregada numa fábrica de conservas de peixe. Tenho muitas colegas, de todas as idades, e um mestre, que é o chefe. Também há dois senhores mais velhos, que são os responsáveis pela vendas e pela distribuição, e ainda as senhoras do escritório, e o Sr. Correia que nos paga todos os meses.

– Tanta gente, Bia! Mas deve ser giro. As pessoas que trabalham com alimentos usam farda e toucas, não é?

– É verdade, Pasquito. E somos muitas vezes chamados para o trabalho pela sirena da fábrica, a qualquer da noite, quando chegam barcos carregados de peixe, que o patrão, o Sr. Moreno, compra, porque é preciso ir prepará-lo sem demora.

– E têm de ir a correr, Bia?

– A correr, não direi, Pasquito, mas quase. Temos meia hora para nos apresentarmos ao trabalho, por isso, depois de ouvir a sirena, como rapidamente, pego no uniforme e vou logo para a fábrica com as minhas colegas. Felizmente, a minha casa fica perto! Quando fico na casa da minha irmã, ela e a minha sobrinha acompanham-me.
Qual é a profissão dos teus pais?

– A minha mãe é costureira, e o meu pai bombeiro; está quase sempre no quartel onde é motorista, mas também é chamado pelo apito da sirena, a qualquer hora como tu, Bia. E os teus pais, o que fazem?

– O meu pai é carregador de peixe, mas já foi corticeiro. Fazia muitas rolhas de vários tamanho, e outras coisas. Agora usa um chapéu de lata, muito grande para transportar as caixas do peixe da lota para as camionetas.
A minha mãe é dona de casa, porque a família é muito grande e ela tem muitas coisas para fazer: arrumar tudo; cozinhar para todos; lavar muita roupa e engomar, tratar das galinhas e do jardim que temos no quintal, mas quando era mais nova e não havia água canalizada em todas as habitações a sua profissão era lavadeira – sabem o que é, Paquito?

– Já ouvi falar, em lavadeiras Bia. A minha bisavó também era lavadeira, mas sei pouco sobre esta profissão.

– Eu explico-te, Pasquito.

– Os meus irmãos mais velhos iam a casa das senhoras mais ricas da vila, que agora é uma cidade, buscar a roupa suja e levavam-na nas alcofas, à cabeça, para a minha mãe poder lavá-las no rio de água doce, que parecia uma poça grande e funda, que tinha duas pedras inclinadas para ela poder esfregar a roupa, como nos tanques, e que ficava situada perto do mar.
Ela ajoelhava-se para poder mergulhar a roupa na água, pôr sabão e ir lavando peça a peça, primeiro as brancas, depois as escuras

– Preciso de mais pormenores, Bia, para os tais desenhos coloridos.

– Posso continuar, Pasquito?

– Sou todo ouvidos, Bia! Continua, por favor. Estou curioso.

(continua)

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