Estórias de Meninas – O Pequeno Almoço no Pátio

Lá estava novamente a menina Marita no fresco pátio sentada com uma cingida calça “de pele”, alongando mais a sua perna bem torneada, ora com o cabelo escuro, malhadinho, lembrando-me quando também o enlutou, pela prima que à vida lhe fora roubada!

Deleitava-se, dando na sandes uma e outra pequena dentada com sorvos do copo de café ensopada!

Falava com uns mais puros sorrisos, e longos cabelos de uma das mais belas “caramujinhas” desta minha aldeia, por todos, aqui e ali por todos admirada e muito amada!

A Marita enrolou a sandes no guardanapo e, se a distância do piso em que me encontrava não me permitisse identificá-la, o seu gesto ao tirar um cigarro e, particularmente a posição em que o colou ao lábios, denunciá-la-ia…

Não resiste, e, sorrindo, peguei no telemóvel, enviando-lhe um sms, gracejando com o seu pequeno almoço, e… com o seu cigarrito…

Mas…

Eis que… fui solicitada e tive de me afastar da trancada janela como exige o SNS…

Um sinal no meu “telelé”, com um simpático: “Olá, bom dia!”, reclamando que não me via…

Voltei ao meu posto, sentindo-me uma detetive…

Eis que chega junto das meninas um jovem técnico, a quem eu já tinha cumprimentado e sobre a sua linda e querida família falado!…

Que divertido cenário, quase antevendo a conversa pelas suas expressões faciais, gestos, observação dos anéis nas mãos femininas tão delicadamente por ele examinadas e… comentadas…

A menina mais bela fumava, a Marita tirava outro cigarro e enfeitava-o com o contraste do seu batom, enquanto o jovem se levantava e saía…

Surgiram no espaço apenas com aquela mesa ocupada, o que era compreensível, mercê da baixa temperatura, dando passos de dança com o ventinho, que parecia ter-me acompanhado do meu cabo, mais duas batas brancas desabotoadas, uma mais jovem, denotando sinais de acidente na locomoção e no apoio, a outra rija e bem constituída, certamente sinal dos já robustos mais de quarenta anos…

Voltei a pegar no telemóvel, e liguei para mais bela menina…

Ouvia-as gritar com sorriso de alegria é… “(…)”…

Nesta altura, já o técnico passava por mim e brincava com ele, juntando-o aos nossos sorrisos sem par, e à breve, mas calorosa conversação, com elas olhando para cima, cruzando-se os nossos alegres e saudosos acenos…

Afastei-me, cogitando… “Isto é vida, a colheita de doces camarinhas à beira-mar dos afetos!…

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