Aerograma N.º 34 – Pétalas Orvalhadas

Terra da Saudade, Dia de Despedida, Ano de Pétalas de Vida

Querida Amiga,

Faltava uma hora ou pouco mais, já nem sei, para a derradeira despedida quando o rosto transfigurado de tristeza do nosso BB, num encontro circunstancial, me disse, trémulo, de olhos orvalhados, inundando os meus, que eras tu, a nossa Zita, quem tinha partido, e, num gesto de desalento ainda conseguiu sussurrar: ” Nem uma florzinha! Aqui nem há uma florzinha!

Que doloroso choque!Que momento de negação! Nenhum de nós queria acreditar!

Separámo-nos, apressados, com um até logo, que levava atrás de si o eco do pensamento que voltara a acorrer à minha mente poucas horas antes, relativamente ao tão desejado almoço da nossa turma, a que apelavas em todos os nossos encontros, ainda não concretizado…

Conhecemo-nos quando tu já tinhas umas vistosas maminhas, daquelas que todas as meninas desejam ter quando forem grandes!

Achei que já eras uma mulher, minha colega-amiga, quando me contaste que já tinhas um namorado, que conheci na casa dos teus saudosos pais, os quais tão carinhosamente me acolheram e trataram sempre!

Ele, o teu namorado, tinha cara de menino, achava eu, talvez pela delicadeza dos traços do seu rosto miudinho e do seu constante sorriso!

Querida Zita, inteligente, com uma caligrafia perfeita comparável ao rigor dos teus princípios e fiéis e profundos sentimentos, dotada de uma delicadeza no ponto, deixando fluir das tuas mãos pequeninas e bem desenhadas bordados de encantar!

Olhos grandes e rasgados nos quais sou capaz de antever a tua peculiar piscadela de olho, falando pelos teus lábios redondinho e sorridentes!

A nossa turma já não está completa! Como todos nos esquecemos da fraqueza do nosso corpo, que nos surpreende quando nos arrebata à confiante serenidade do dia-a-dia, que um dia do nosso vigor se esquece e… subitamente desfalece…

Como amaste e foste amada, boa filha, esposa, mãe, amiga! Os teus meninos-homens estavam firmes à tua beira, incrédulos,  um, no seu douto saber, mais introspectivo, e o outro amparando o pai como sábia e  desafiante te surpreendeu sempre, te fez sorrir e encantou – ambos admiráveis, respirando o teu amor até ao infinito!

O teu namorado com cara de menino, tornado teu muito amado marido, debruçado sobre o seu peito curvado de dor suspirou, desesperado: “A casa caiu!”, mas… lá estava o benjamim apertando-o, confortando-o…

Quantas vezes fui visitar a tua mãe à tua casa? Nem sei, mas… ela envelheceu e tu, querida Zita, não!

Que bom teres reencontrado a Ilda, que te procurou no Facebook, e respondido à minha mensagem relativa ao teu aniversário!…

Mas…

A vida é efêmera, e simultaneamente inacabada, pois todos adiamos isto ou aquilo, deixamos muito para concretizar, mesmo reconhecendo que o tempo é aqui e agora, e cada dia único e irrepetível!…

Muito Obrigada Amiga, por tudo o que vivemos, e pela alegria do que sonhámos realizar!…

Caem pérolas de paz das asas dos Anjos que te vieram buscar!

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