A Petrinha e o Pedrinho – Os Provérbios

Era cedinho!
O Pedrinho estava muito caladinho, de nariz colado ao vidro embaciado da janela!

– Pedrinho, o que é que se passa? Estás à espreita de alguém?

– Eu, Petrinha? – perguntou o Pedrinho, voltando-se. Estou a… cogitar!…

– Oh! Que cogitadeiro, Pedrinho! Conta! Conta! – pediu a Petrinha.

– É para já, Petrinha, mas… não te rias – retorquiu o Pedrinho.

– Não posso prometer nada, Pedrinho! Mas… estou curiosa! 

– Está bem, Petrinha! Conheces aquele provérbio que a prima Amélia está sempre a dizer?

– Qual deles, Pedrinho? A prima é uma mestra de provérbios! O do tempo?

– Qual tempo, Petrinha? Do mau tempo, aquele da sementeira da ventania, que traz chuva todo o dia?

– Ah! Ah! Pedrinho, que troca tintas!

– Troca tintas, Petrinha?!… Não percebo! Estás a falar sobre o arco-íris? Eu cá sou muito respeitador; não troco nada!

– Desculpa, Pedrinho! Queria dizer trocar provérbios. Corrigindo… Quem semeia ventos…

– Apanha grandes friezas, com certeza!

– Ah! Ah! Só tu, Pedrinho! Referia-me àquele provérbio: “Deitar cedo, e…”

– Boa, Petrinha! Esse eu sei! Bem! Sei, porque ouvi a tia Didi a brincar aos provérbios com a  Ró. Uma começou a dizer: “Deitar cedo e…”, e a outra…

– Conta! Conta, Pedrinho! – insistia a Petrinha.

– Calma, Petrinha! Tenho de me concentrar, e a Ró continuou: “e tarde erguer só faz quem pode, se lhe apetecer! 

– Ah! Ah! Pedrinho, temos um novo provérbio, privado e familiar! “Deitar cedo e tarde erguer só faz quem pode, se lhe apetecer!” Vou contar aos avós.

– Espera, Petrinha! E se os avós não acharem graça a esta atual mexida na sabedoria popular? O que é que fazemos?

– Já sei, Pedrinho! Tiramos da manga este provérbio da prima Amélia…

– Da manga, Petrinha?!… Não é melhor irmos ao dicionário, não se lembre o vento de soprar e levar-nos o provérbio no bico?

– Ah! Ah! Pedrinho, o melhor é levarmos o provérbio debaixo da língua. 

– Já me soa melhor, Petrinha! É menos… ilusionista, e… mais popular. Sou todo ouvidos.

–  Cá vai ele, Pedrinho! ” Tempos há, tempos haverá, e muita coisa mudará!”

– Boa justificação, Petrinha! Mas… soa-me melhor: “Tempos há, tempos haverá, e a reviravolta dos provérbios já cá está!”

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