A Petrinha e o Pedrinho – Observadores

– Petrinha! Petrinha!

– Diz, Pedrinho!

– Não digo nada, Petrinha! Tu é que me vais dizer se sabes estas super adivinhas, daquelas que não vêm nos livros.

– Ó Pedrinho, que sabichão!

– Podes dizer, Pretinha! Pedrinho sabichão-adivinhão!

– Ah! Ah! Só tu! Então qual é a tua adivinha?

– Adivinha, adivinha, Petrinha, como é que o modernismo das calças rotas, que tanto choca as pessoas de joelhos e pernas bem tapadinhos e sem buraquinhos, vai dar uma voltinha?!…

– Hum! Deixa-me pensar, Pedrinho! Talvez uma voltinha menos rotazinha, sobretudo no inverno, mas… isso é um caso…

– É um caso, sim, Petrinha, um caso sério para os estilistas. Mas… quem é que vai convencer aquelas boquinhas a abertas e as pernas com ventiladores a aceitarem tal mudança?

– Cogitando, Pedrinho…

– Cogita, Petrinha, mas responde certinho à minha adivinha.

– Já sei, Pedrinho! Com agulha, linha e dedal! E… muita imaginação! Costura criativa!

– Ah! Ah! Petrinha! Frio! Essa ideia é… muito de… menina! Vou ajudar-te com uma palavrinha…

– Ajuda-me, ajuda-me… menino-homenzinho

– Ajudo, pois, Petrinha! Para ser completo, e esta ideia da adivinha veio-me à cabeça depois de ouvir um comentário da avó sobre a modinha da calcinha rotazinha, que de lembrança dos mais pobrezinhos, pode também igualar com uns retalhinhos…

– Retalhinhos, Pedrinho?!… Já ouvi falar em mantas de retalhos, mas… pensando bem…

– Já sei a resposta da tua adivinha: remendos ou chapas.

– Que espertinha, Petrinha! Adivinhaste! Já imaginastes aqueles buraquinhos todos tapadinhos com outros tecidos, diferentes e coloridos?!…

– Muito à frente, Pedrinho! Ou melhor, um “à frente”, recuando no tempo.

– À frente, pois, Petrinha! Então a roupa remendada não surgiu depois de estar esburacada? Sou mesmo um génio! Vou fazer uns desenhos e pôr nas redes sociais!

– Ah! Ah! Pedrinho-geniozinho! Agora é a minha vez. Adivinha, adivinha, porque é mais fácil arrumar um carro num lugar apertadinho na cidade grande do que numa vila ou aldeiazinha?

– Ora, Petrinha! Essa é muito fácil! No campo e na vila a vida não é mais calma e tudo com mais largueza como diz o avô? Na cidade grande é por causa da pressa, para o pessoal ficar à frente nas filas; anda tudo atrás uns dos outros, e encolhidos ou apertadinhos, a desperdiçar a vida, coitados!

– Frio, Pedrinho! É por causa dos acidentes.

– Dos acidentes, Petrinha? Não alcancei – ” até já pareço o tio”

– Sim, Pedrinho! Como diria a tia alentejana: “Com a doidera de andarem a correr uns atrás dos outros, os carrinhos têm medo de serem levadoe e… aconchegam-se no primeiro buraquinho que encontram!”

– Ah! Ah! Que diria, Petrinha, que os carros da cidade grande eram tão medricas!

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