Archive for Maio, 2018

Sorriso do Dia – A Luz da Respiração
Maio 20, 2018

O sorriso abre as portas da bela aurora com a luz da respiração, atravessando as nuvens com a dança de palavras silenciosas nas veredas do sonho, despertando os valados com papel de seda das ondas, fazendo cócegas nos floridos pés do chorão!

Cascatas de Amor
Maio 20, 2018

Há cascatas de amor com corpos girando no mistério cristalino do seu canto, e pedras escorregadias nos biquinhos de pé das ervas sombrias no rosto do dia à espera que o sol seja amor de mãe, lhes sorria e as aqueça de alegria!

Histórias de Fantoches – Folhinha de Hortelã, 7.ª Página
Maio 20, 2018

No último dia de aulas do 4.º ano, a Dulce foi despedir-se da D. Clementina e ofereceu-lhe um cesto de fruta, enfeitado com flores do campo que ela própria apanhara, e com um grande laço de tecido com uma dedicatória, em que ela lhe agradecia tudo o que lhe tinha ensinado com tanto carinho e paciência.

Abraçaram-se e a Folhinha de Hortelã prometeu que, apesar de ir mudar de escola, voltaria para visitá-la.

Decorreram alguns anos, e um dia havia um grande alvoroço na escola onde a Dulce andara quando era uma menina.

Depois entraram no pátio: uma jovem com um grande sorriso e um raminho de hortelã na gola do casaco, conhecida como a cozinheira mais famosa da região, também especialista em Higiene e Segurança no Trabalho, que trabalhava no maior jardim de infância da cidade, acompanhada por outro jovem, o Ramalhete, técnico de Saúde Ambiental e Mestre em Alimentação, e ainda por outra jovem grávida, que trazia uma escova de dentes de brincar pendurada num fio, a Ina, Higienista Oral, ambos funcionários do Centro de Saúde.

A D. Clementina, que já tinha alguns cabelos brancos, limpou uma lagriminha quando viu entrar a jovem cozinheira, de quem se tornara amiga desde o seu segundo dia de aulas naquela escola – era ela! A Dulce, a sua Folhinha de Hortelã!

Os jovens vinham dar uma acção de formação prática aos alunos, explicando a importância de uma alimentação saudável para o seu bem-estar e crescimento, bem como os cuidados a ter na higiene oral.

A Folhinha de Hortelã e o Ramalhete iam colocando grandes exemplares de alimentos, feitos em cartolina, sobre as mesas que estavam espalhadas pelo pátio e convidaram os alunos que já sabiam ler para os ajudar, entregando-lhes textos – os alunos tinham de pegar nas cartolinas, esconderem-se atrás delas e darem vida aos alimentos com a sua voz.

(continua)

A Perigosa Conjugação
Maio 20, 2018

“Querer é poder”, soletra sabiamente o povo para se convencer e as agruras e os obstáculos vencer!

Mas…

Tudo querer, privilegiando a própria vontade, não deixa ver a existência do outro ser, não proporciona o discernimento para escolher, nem faz crescer quem na confusão da perigosa conjugação do eu, tropeça na sua tirania, caindo no isolamento, não semeia o bem nos canteiros férteis e… cansado de si, sem saber e “sem querer” se deixa desfalecer e adormecer!

Gente Boa da Minha Aldeia – O Garrafão de Cinquenta Cêntimos
Maio 20, 2018

Era um garrafão o que a senhora de casaco rubro e baço procurava.

“- Um garrafão de água dos de cinquenta cêntimos” – dizia, enquanto a sua vista cansada não o encontrava.

Mas…

Lá estava ele aconchegadinho a um cantinho com mais alguns dos seus rechonchudos irmãos ao lado, quase à saída do minimercado!

No momento em que a senhora de baço casaco rubro, outrora uma grande modista, vislumbrava o garrafão de cinquenta cêntimos, uma solta camisola azulada, escondendo torneadas linhas femininas, alegremente a cumprimentava!

E…

Pensando melhor, a senhora que instantes antes se regozijava com o encontro que lhe avivara a memória sobre um casaco rubro vivo que confecionara com medidas de infanta, lamentava-se por não poder com o garrafão, e principalmente pelo facto de o seu pobre marido, um antigo pescador com nome de imperador, estar doente e não poder contar com ele para coisa nenhuma, pois só lhe pregava sustos como sucedera numa madrugada em que não o sentiu na cama e acabara por descobri-lo, de calças de pijama e camiseta, junto à montra da loja da esquina…

Insistente e simpática, a solta camisola azulada apressou-se a pegar no garrafão e a fazer a entrega ao domicílio na companhia da destinatária, caminhando ao ritmo do seu passinho na irregular calçada de uma antiga rua designada “vila”(…), quiçá um condomínio fechado de outros tempos, de casinhas baixinhas com graciosas e típicas barrinhas, com tanques às portas e vasos e vasinhos com muitas florinhas e estendais colados aos das vizinhas!…

Responsabilizar e Culpabilizar
Maio 15, 2018

Quem ama, ensina!

Quem ensina, responsabiliza!

Quem responsabiliza, não culpabiliza!

Levantar-se!
Maio 15, 2018

Na queda, a rapidez a levantar-se do chão, ou a sobrepor-se à emoção, depende da natureza do terreno, da altura e da predisposição e determinação para dizer: “Não!”

O Enganador de Si Próprio
Maio 15, 2018

Não se glorifique ou ufane quem acredita ter enganado o outro, gabando-se de que lhe diz / dissera o que gostaria de ouvir, pois não só está a revelar-se desleal, fugindo à verdade, como pretensioso, enganando-se, o pobre enganoso!

Sorriso do Dia – Manjar dos Deuses
Maio 15, 2018

O manjar dos deuses para uma boca cerrada esvoaçando numa vida desencantada é a sinfonia dos sentidos, sussurrando sílabas repassadas de poesia na cristalina luz da alegria, encontrando um doce olhar de açucena que lhe sorria com pétalas de meio-dia!

Gente Boa da Minha Aldeia – A Senhora dos Correios
Maio 15, 2018

Uma senhora de estatura média, com a cabeça enfeitada por um soltos caracóis já grisalhos, atravessava a sala grande, de pavimento cimento, tom nada recomendado para o contexto, dizem, onde o burburinho nos leva a cogitar que, “calhando”, os ” doentes” aqui presentes não padecem, mas previnem a doença, prática que muitos, no seu douto saber, defendem!

Os óculos pareciam manter a linha de umas armações já conhecidas algures, apoiava-se a uma canadiana, mas foi o seu perfil e a marcha que me chamaram a atenção: era a senhora dos correios, que costumava estar ao lado da colega com nome de rainha de Portugal e com os olhos verdes mais belos que já vi, palpitando sobre um doce sorriso.

E…

Entre zunzuns de: “Gente rica que não sabia governar as terras e vendeu aos pobres”, e outros que: “Não tinha bom focinho”, a senhora dos correios passava segura e indiferente como quem acaba de atender alguém, pronta para quem está a seguir!