Estórias de Meninas – “Ajudar os Outros”

O resplandecente sorriso da juventude jorrava no rosto das duas jovens de olhos cintilantes.

Uma, muito expedita e elegantemente vestida de senhora, exigência profissional tão oposta à sua natureza prática de bom gosto aliado a atividades desportivas, preferencialmente ao ar livre, a outra ricamente doce, acompanhando todas as expressões corporais e curiosas do simpático bebé que aconchegava ao colo.

Falavam sobre as suas diversas experiências profissionais, todas elas em regime de precariedade, salientando o contacto com as pessoas, as mensagens que transmitiam interna e externamente no seu desempenho…

” – Ai! Eu gostava tanto! Quando alguma colega estava com problemas ou, simplesmente, se mostrava triste ou menos comunicativa, antes de sair, escrevia bilhetinhos e deixava-los de modo acessível, ou entregava discretamente, sorrindo, apenas! Era tão bom! Tão bom! Eu gostava tanto! E voltava feliz para casa! Eu sou assim!” – recordava a menina mais expedita.

Comentavam também entre si, olhando com a empatia de um convite para a transparência da minha presença bordada de discretos, compreensivos e cúmplices sorrisos, sobre o deleite da vida familiar, os turnos dos maridos cujo descanso queriam poupar do choro das crianças, rindo-se das suas amorosas estratégias, juntando-lhes a saudade do trabalho, à medida que cresciam e começavam a frequentar a escola!

E… um contrato a expirar poucos dias depois, lamentava, receosa, uma das jovens, antevendo juntar-se à porta do desemprego que não se abria à sua interlocutora.

Mas…

De todo o seu contributo para a sociedade no mundo laboral, do que ambas tinham mais saudade era das pessoas!

” – De tudo o que fiz, do que mais gostei, foi de trabalhar na Saúde! Era tão bom fazer tudo para ajudar as pessoas e vê-las esboçar um sorriso! E… ficava tão enternecida com os seus intermináveis agradecimentos, às vezes sem razão; só por que as ouvia pacientemente, mesmo quando não tinha meios para concretizar o que precisavam e desejávamos! Ah! Se eu pudesse escolher, era para lá que eu voltava!” – partilhava saudosa a jovem que tinha o bebé ao colo.

” – Também eu! O que mais gostei foi da minha experiência na Saúde! Gostava tanto de todas as pessoas! Faziam sentir-me útil!” – declarou cheia de sorrisos a jovem trabalhadora.

E…

Em uníssono, ecoou como uma feliz gargalhada uma onda fluindo dos seus corações:

” – Gostei muito por poder ajudar os outros!”

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