Quando Eu For Grande – Sexagésimo Quarto Desejo

Quando eu for grande, quero ser o dicionário do amor e ensinar: a cantar hinos de beijos, a escrever cartas bordadas de desejos, a desenhar sorrisos e jogos conciliadores em bilhetinhos, e nos espelhos escondidos dos vizinhos e dos quintais, para que os casais não se aborreçam mais!

Quando eu for grande, quero ser o caderno de significados de conselhos amigos para os que tudo perguntam, tudo querem saber, tudo sugam sem perceber, apoderando-se de verdades e menosprezando as ajudas, buscando insistente e diversificadamente a sua confirmação, evidenciando ausência de memória de vivências, resvalando continuamente na ingratidão, sem aprendizagem, nem correção!

Quando eu for grande, quero ser o bloco de notas mágico, que se transforma em chapéu e cestinho saltitão, voando de mão em mão de cada petiz, apanhando flores aqui e ali para oferecer à mães, aos avós e a todos nós sem correrias, nem arranhões, nem partir o nariz no chafariz!

Quando eu for grande, quero ser a sílaba dos sentidos: rápida na visão, apurada na audição, com faro de canzarão, sensível à dor e ao vazio de cada mão, gosto farto de amor para repartir a fruta madura, o pão e todo o alimento e riqueza do coração.

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