Estórias de Meninas – A Trovoada e o Castigo na Escola da Didi

Quando a Didi tinha apenas oito anos e andava na escola primária, presenciou um castigo infligido a uma colega, o qual jamais se apagou da sua memória.

Aquele infeliz facto ocorreu num dia em que, durante a lição, as meninas, ao trocarem umas palavras entre si, não seguiram momentaneamente a leitura.

De repente, o ribombar dos trovões fez estremecer tudo!

A professora benzeu-se.

A colega da Didi, perante o inédito e incompreensível gesto, riu-se, o que não passou despercebido à mestra.

Irritada e poderosa, a professora colocou a aluna de castigo, de pé, à janela, “para ver a trovoada”.

Estremecendo com aquela humilhante injustiça, e com vontade de chorar, a Didi não parava de repetir mentalmente esta oração, que a sua mãe lhe ensinara, na esperança de que a sua amiga saísse daquela posição e local o mais depressa possível:

” Santa Bárbara Bendita, que no Céu está escrita com papel e água benta, Deus me livre desta tormenta. Que a leve bem lá para longe onde não haja pão na eira, nem folhinha de oliveira.
Já o galo canta, o Senhor se levanta.
Nosso Senhor subiu à cruz para sempre amém Jesus.”

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