A Minha Aldeia – A Modinha da Miudagem

Quando o forte não tinha a entrada pavimentada, nem a porta fechada, nem chorava pela costa que lhe fora roubada, ainda se alegrava com o canto da água a saltar no regador de zinco do antigo faroleiro, e a encher as redondas barrigas das quartas de barro, que as mulheres transportavam nas bem desenhadas ancas ou coroavam distinta e habilmente as suas cabeças, caminhando num impressionante número de equilibrista circense, e havia festa dos santos populares no bairro devidamente engalanado, a miudagem apregoava, em jeito de convite, a quem avistava:

Lari,
Larilé
Larilolé

Toca a fugir.
Toca a rir.
Venha cá para o nosso bairro
Quem se quiser divertir.

E…

A modinha, despertando sorrisos, adoçava a curiosidade para aquele terraço virado para o mar com os seus arcos de palmeiras vestidos de coloridas flores e bandeirinhas de papel, respirando-se o ar de festa até ao recinto dos bailes mandados e das rodas, com o chão atapetado de fetos à volta do mastro, bailando no ar e com os pés no chão versos brincalhões, cantigas ancestrais, alguns à desgarrada, divertimento com direito: a espontânea gargalhada, a matar a sede com água fresca, a respeito aos bem-vindos, aos residentes e às famílias, a um ou outro biscoito distribuído à criançada, livre da mão dada, e que nunca estava cansada!

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