O Procópio e o Pirolito – Portugesmente…

Pirolito – Ó Procopiozito, sabs porque é que o português mente?

Procópio – Ora, amigo Pirolitozito! O português mente como qualquer gente!

Pirolito – Achas?

Procópio – Acho, sim! Até há quem diga que se mente por amor.

Pirolito – Semente de amor?!… Oh! Eu pensava que se mente por ter grande fartura de sementes de imaginação, que saem pela língua como um furacão.

Procópio – Ah! Ah! Que engraçadinho, Pirolitozito!

Pirolito – Não sou nada, Procopiozito! Eu acho, portuguesmente falando, que português mente, porque apesar do ditado, não tem medo que lhe caia um dente, mas é pena, porque haveria por aí muito desdentado bem identificado, e bués de envergonhado – bem feita!

Procópio – As coisas que tu dizes, papagaio pensador! Tem tino na língua.

Pirolito – Papagaio pensador cheio de humor como os filmes portugueses a preto e branco. Aquilo era um pagode, ouvi o Zé Povinho, já velhino, a suspirar.

Procópio – Aonde ouviste tal, Pirolitozito?

Pirolito – No Jardim da Estrela, ao pé do homem do balões, quando fui lá passear. Mas isso agora não interessa. Estou a dizer a verdade. Reparaste como falei portuguesmente? Disse: “a verdade”, e não verdade.

Procópio – Muito bem, Pirolitozito! A propósito do teu portuguesmente, sabes é a diferença entre: a mulher nova e a nova mulher?

Pirolito – Sei, pois, Mestre Procópio! A mulher nova é aquela jovem que as senhoras enrugadas gostariam de imitar, e a nova mulher é a recente esposa do Dr. Branco, que deixou de chorar a sua viuvez, coitadinho!

Procópio – Muito bem, brilhante papagaio!

Pirolito – Obrigado, Procopiozito-amiguito! Já confortaste a tua amiga Celeste? Estava a chorar. O “Chico esperto” do Possidónio acabou com o namoro. Ela vinha acompanhada do guarda, porque ia sendo atropelada. Deu-me pena! Mas não me caiu nenhuma, e ainda bem, senão com tanta pena que sinto, já estaria depenadinho “dum todo”, alentejanemente falando, e… todo arrepiadinho.

Procópio – Ah! Ah! Pirolitozito-Amiguito, és o máximo! Mas… agora é a minha vez, porque, aqui entre nós, porque português, homem ou papagaio não mente, vamos ao portuguesmente…

Pirolito – Muito bem, Procopiozito-amiguito! Vamos, pois! Sou todo ouvidos, e de mente atenta ao portuguesmente, pois claro!

Procópio – Portuguesmente falando, Pirolitozito, o Possidónio acabou o namoro, e ela vinha acompanhada pelo guarda.

Pirolito – Muito obrigado, Procoipizito! Vou ter mais tino… neste bonito e bem-falante bico! Olha!

Procópio – Estou a olhar…

Pirolito – Que engraçadinho! Até as minhas asas batem palmas! Olha! Achas que quando voltar ao Jardim da Estrela posso ir logo ali… para certificar-me de que depois de ouvir as línguas nacionais de várias cores e ideais, não terei de abrir o bico e deixar o portuguesmente sair debaixo da língua?

Procópio – Ah! Ah! Muito bem! Gosto da ideia e aprovo-a, Pirolitozito!

Pirolito – Nada para dizer! Nada que dizer, portuguesmente falando, Procopiozito! Vamos?

Procópio – Então? Não íamos ao FMM?… À tardinha, já temos música, e eu quero assistir pela noite fora. Espero não ficar mouco!

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