Estórias de Meninas – A Ginasta do País das Maravilhas

Na enorme turma de adultos, mais feminina do que masculina, pois só um homem representava o género, todos tinham os olhos postos na pequena ginasta do país das maravilhas, neta de uma discreta e simpática atleta.

Quando olhei para a menina, ainda desconhecendo o seu parentesco com uma das presentes, imediatamente surgiu na minha mente a imagem de um menino moreno que conhecera, também ele com olhos negros, pestanudos e com um sorriso que não acaba, deixando-nos presos ao seu encanto.

Segui os seus primeiros passos, ainda tímidos, mas sobressaindo na sua precisão, rapidez e mobilidade. interagindo com o grupo de gente grande que perto do seu alegre e surpreendente desempenho parecia mais pequena, se bem que a envolvesse com ternos sorrisos, que a menina retribuía graciosa, simpática, doce!

Rapidamente a associei-a à avó, levada pelas minhas memórias. Soube o seu nome. Soube também que era aluna do professor num turma da sua idade. Soube ainda a sua idade, que se aproximava de meia dezena de anos.

A ginasta do país das maravilhas, de cabelinho ondulado preso, mas saltitão, de calcinhas rosa, cingidas, e blusinha a condizer, punha-se de biquinhos de pé, e sorria; saltava, e sorria; ia atrás, mas sempre à frente de todos, e sorria; ia abaixo, e sorria; ia acima, e sorria, ia ao lado, e sorria, e… corria, corria, corria, e sorria, sorria, sorria!…

Mas…

A sua voz ninguém ouvia, porque a todas as respostas a pequena-grande-ginasta do país das maravilhas sorria, sorria, sorria!…

Decorridos poucos dias, encontrei a menina-maravilha a sair de casa, aqui perto, com a avó e um menino do seu tamanho, mas com menos de metade da sua idade, robusto e com traços do rosto iguais ao seu, que ela, fora do contexto de competição em que naturalmente sobressaía, me apresentou como seu irmão e em cujo queixo tocava com a sua delicada mãozinha, acocorando-se, para que ele erguesse a cabeça e ficasse de frente para mim, o que só conseguiu, depois de eu ter-lhe feito sombra com o meu corpo, pois o sol brilhava intensamente, e encandeava.

Recetiva, a ginasta do país das maravilhas confirmou-me que tinha gostado muito da nossa companhia, acrescentando, a sorrir:

” – Amanhã vou outra vez!”

Depois, dando zelosa e ternamente a mão ao irmão, contou-me que tinha batido com a cabeça no trabalho do pai, apontando para um “galinho amarelinho”, destacando-se na testa.

Não voltei a encontrá-la, mas soube pela avó que ela cumprira o que me dissera, comparecendo à aula, contudo tinha caído e o seu “galaró” parecera ter aumentado de volume, ela verteu lágrimas, mas retomara a sua atividade desportiva, surpreendendo os adultos, corajosa e hábil, sorrindo, acredito!

Anúncios

There are no comments on this post.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: