A Petrinha e o Pedrinho – As Cogitações do Pedrinho

– Ó Petrinha!

– Sim, Pedrinho! Já reparaste que estás sempre a chamar por mim?

– Eu, Petrinha?!… É a minha cogitação que anda sempre atrás de ti com o seu: “Ó Petrinha!”, à procura de respostas ou porque quer partilhar qualquer coisinha contigo, e eu não sei como controlá-la! Posso continuar?

– Podes, Pedrinho! O que foi desta vez? Algum convite para o primeiro encontro para as autárquicas, que te contrariou ou fez pensar?

– Nada disso, Petrinha! Tenho tudo muito bem pensado e arrumado no sítio!

– Muito bem, Pedrinho! Então a má-educação política de que o avô falava no outro dia voltou a incomodar-te?

– Também não, Petrinha! Não tenho ouvido sopros dessa natureza – ou serão arrotos?!… Olha, acho que são mesmo! O que eu ouvi a avó comentar foi que…

– Conta, Pedrinho, conta, sobretudo se for uma nova receita de culinária; nada de mezinhas.

– Estás com sorte, Petrinha, porque também trago uma receita na manga, ou melhor na ponta da língua, sem tê-la provado, felizmente!
Mas…

– Mas… Estás engasgado, Pedrinho? Foi da receita?

– Não, Petrinha! Essa… meteu-me espécie, porque nunca comi camarões cozidos com cebola e alho como a tia estava a dizer que fizera, para obsequiar uns amigos, com uma receita da avó, dizia, deixando a nossa grande cozinheira apreensiva, rindo-se, em vez de contestá-la!

– Nunca ouvi falar em tal, Pedrinho! Nem provei!

– Nem eu, Petrinha, mas a tia salientou que estavam muito bons! Ainda bem que não fui convidado para o repasto.
Mas… dizia eu que também ouvi a avô comentar que desde que vira na televisão uma daquelas criaturas que ofendem a Nação com a malcriação, no Santuário, ficara cheia de esperança que passasse a dobrar a língua!

– E o avô acreditou, Pedrinho?

– Achas, Petrinha? Nem pensar! Disse-lhe: “Espera para veres, ou melhor, para ouvires! Esta gente não tem emenda! Nem se lembra das crianças que tem lá em casa, quanto mais nas do resto do país?”

– Pedrinho, o avô já cá anda há muito tempo; deve saber o que está a dizer! E… antes do mas… não tinhas mais nenhuma cogitação a apresentar?

– Tinha, pois, Petrinha! E tenho! Imagina que dei por mim a olhar para as mãos de certos senhores, e pasmei-me!

– Também já me aconteceu, Pedrinho! Faz-me muita impressão ver as mãos de alguns trabalhadores deformadas e queimadas do sol; algumas parecem gemer de dor. Há pessoas que sofrem muito!

– Pois! Mas, Petrinha, o que me surpreende é a diferença entre essas mãos e outras, tão delicadas e com pele que se adivinha ser de seda, que até parecem de menina! Sabes o que pensei?

– Não, Pedrinho! Mas… sou toda ouvidos!

– Então, ouve: “Estes, os que também têm responsabilidades sem ser “no duro” devem trabalhar mais com a cabeça.”
Achas, Petrinha, que a massa cinzenta também está deformada e mudou de cor com o calor das preocupações? Coitadinha! E nem pode usar creme hidrante!
Cá para mim, é por causa deste desgaste que eles, e principalmente elas, que também são donas de casa e mães, queixam-se de tantas dores de cabeça, que… como diz a D. Despachada: “É uma coisa por demais!”

– Ah! Ah, Pedrinho! Que relação! Vamos largar os livros e dar uso às mãos; são horas de pormos a mesa.

– E hoje é o teu dia de limpares a cozinha, Petrinha! Lembras-te?

– Não me importo, Pedrinho! Gosto desta divisão de tarefas.

– Está bem! E… Olha, Petrinha! Põe as luvas para protegeres as tuas mãos de menina.

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