Archive for Maio, 2017

A Vida a Dois
Maio 28, 2017

A vida a dois é estar a dormir acordado, é viver a cumplicidade de não liderar, nem ser liderado, é dar-se ao amor e ser verdadeiramente amado no canto florida da madrugada, na exuberância dourada da hora do sol a pique, encandeando a estrada, na serenidade morna do luar adormecido e na secreta noite acordada com a magia da dança dos sorrisos à poesia do mar abraçada!

A Petrinha e o Pedrinho – “Arranjos” no Elevador e no Automóvel
Maio 19, 2017

– Ó Pedrinho, o que é que aconteceu para te sentares no sofá a rir à gargalhada?!…

– Desculpa, Petrinha! Apanhei a vizinha do quinto andar a fazer caretas ao espelho do elevador e a ajeitar o cabelo.

– Ia à pressa, Pedrinho, e aproveitou para acabar de se arranjar.

– Isso foi o que ela me quis dizer, Petrinha, enquanto enfiava bem os pés nas sandálias de salto alto, e a sua minissaia subia quando se baixou para abotoar as fivelas com o seu aflito suspiro: “Estou atrasada!”, fazendo uma festinha na cabeça do Quinzinho, ao sair, sem olhar para mim.

– Ah! Ah! Que cena, Pedrinho! Mas a vizinha até se justificou.

– Ficou atrapalhada, coitada! Ainda bem que o elevador não tem secador, nem relógio, se não… nem sei o que aconteceria! Até me lembrei…

– Lembraste-te de quê, Pedrinho malandreco?

– Malandreco, eu, Petrinha? Até olhei para cima quando a minissaia subia!… Acho que fiquei corado, mas felizmente, o elevador parou, e… ela nem reparou.

– É o respeitinho tão badalado pelos avós, Pedrinho. Aprendes bem!

– Aprendo tudo, Petrinha. E também tenho boa memória. Lembrei-me de um dia, na fila da ponte, ter visto num carro vermelho uma senhora toda debruçada no espelho da pala para o sol, a tirar uns pêlos das sobrancelhas e depois a pintar as pálpebras, a pincelar as pestanas e a pôr batom nos lábios…

– Também deve ter-se atrasado, Pedrinho, e aproveitou a paragem do trânsito para maquilhar-se.

– Paragem, Petrinha?!… A marcha era muito lenta, aquilo que as pessoas chamam: “Para, arranca.”, e ia um Sr. a conduzir, com cara de enjoado, mas não tinha farda de motorista. Que sortuda!
É por isso que não quero tirar a carta de condução, para ninguém fazer estas coisas pessoais em público e à minha custa.

– Ah! Ah! Só tu Pedrinho! Mas vê lá se nalgum dia também estás à pressa e pões o gel quando entrares no elevador!

– Que engraçadinha, Petrinha! Antes ir para uma festa sem popinha!

Aerograma N.º 28 – Espelho Teu!
Maio 19, 2017

Querida Amiga,

Vai, Amiga, e voa! Voa com a dança florida de sorrisos nas asas do sonho, plantando papoilas nos pátios nublados da vida!

Vai, Amiga, e fica! Fica com o teu coração no vaivém da baía, com um livro aberto na tua mão, que não espera em vão!

Vai, Amiga, e escreve! Escreve com a poesia que em ti habita nos palácios de paredes aveludadas em que a tua voz tilinta!

E…

Sobe as escadas viradas para o teu mar com varandas de vidro bordadas de estrelícias enamoradas do silêncio salgado.

Abraço, Minha Irmã-Amiga!

A Partida sem Hora Marcada
Maio 19, 2017

Quando chegar a minha hora, que seja Deus docemente a vir-me buscar, e não eu desesperadamente a suplicar para das mãos e do jugo dos ímpios me libertar!

Renascer na Escrita
Maio 19, 2017

Renasço em ti, escrita, que me acordas, que me refrescas e que na doce brisa com lábios de mel e voz de beijos quentes e rubros me agita.

O Felino Cordeiro-Bebé
Maio 19, 2017

Tratar o felino como se fosse um inocente cordeiro-bebé é expôr-se – “pôr-se a jeito”, diz a sabedoria popular – à tirania da cobarde-valentia do seu injusto e ininterrupto pontapé, ser agredido ao sabor da fúria da sua maré!

A Despedida
Maio 15, 2017

Na hora da despedida, a máquina fecha os olhos às imagens que eram só tuas, o rumor de poente adormece a vida, e a dança das sombras brinca com a lua nos clarões das ondas perdidas nas marés!

Estórias de Meninas – A Menina das Tranças e a Papeira
Maio 15, 2017

Há muitos anos, quando a menina das tranças fininhas teve papeira, e ou os seus manos sofriam da mesma doença, a mãe preparava uma mezinha insubstituível.

Ia à capoeira, escolhia uma galinha, matava-a, retirava a enxúndia (gordura), colocava-a em papel pardo, que enrolava na zona afetada – inchada -, e cobria-a com um dos seus coloridos lenços para a cabeça, guardado para o efeito, com o qual fazia um lindo laço no cimo da cabeça da sua menina cujo rosto miudinho mais belo ficava, mesmo quando ela não sorria!…

E…

A “pomada” natural por ali permanecia, até que que o inchaço desaparecia!

Sorriso do Dia – A (a)Ventura do Amor
Maio 15, 2017

Dá, recebe e partilha, vive o amor e afasta a mentira, faz uma concha com a mão na mão, leva-a aos lábios e sacia o silêncio das palavras com o pulsar do coração!

Histórias de Fantoches – As Aguarelas do Júlio, 4.ª Página
Maio 15, 2017

Primeiro observaram o céu e, para que o telhado do mundo ficasse bem pintado, deram-lhe uma demão com uma tinta transparente, por onde o Sol pudesse iluminar, toda a Terra e proteger os homens.

Aumentaram o tamanho das estrelas, e a lua ficou permanentemente com cara de lua cheia.

Misturaram o amarelo com o azul e depois acordaram as nuvens cinzentas, que pintaram com a cor que obtiveram – verde – , para anunciarem o tom que a chuva dá aos campos e às árvores.

Satisfeitas com o seu trabalho, as aguarelas olharam para o mar, aspiraram a poluição com os pincéis, a água ficou transparente, e os peixinhos vieram agradecer-lhes, batendo palmas com as barbatanas e dizendo-lhes:

” – Obrigado! Obrigado!”

Voaram até às águas doces dos rios e das fontes e também as limparam.

Avivaram as cores dos alimentos:

– os verdes: dos agriões; das alfaces; das couves; dos espinafres; da nabiça;
– os laranjas e os amarelos: das ameixas; das clementinas; das laranjas; dos limões; das tangerinas;
– os frutos vermelhos: as cerejas; as framboesas; as ginjas; as maçãs; os morangos.

Durante a noite, ocuparam-se das flores: das açucenas; dos cravos;das jarros; das margaridas; das violetas, que ficaram mais coloridas e que lhes agradeceram com pétalas perfumados.

Também limparam o pó das árvores, que, muito gratas, iam abraçando os pincéis coloridos.

E…

Pintaram os bancos dos jardins e os parques infantis, a imaginarem a alegria que iriam proporcionar: às crianças; aos namorados; aos idosos.

(continua)