Estórias de Meninos – O Giocar

Os olhos grandes do Giocar pareciam uns faróis de alegria quando ele elogiava, convicto e doce, a sua mãe, que em tudo era: “a maior”, “a mais bela” e “a melhor”, sempre “mais bonita do que a lua”, que o fascinava, mas não iludia, sentimentos e formas de expressão com as quais ainda a abraça no seu dia-a-dia, mas com o seu coração mais cheio, com lugares de veludo, em tudo identificados e personalizados, canteiros de outros amores da sua vida, flores-meninas-mulher!

Nos seus lábios grossos e rosados de menino bailavam palavras de amor, aflorando a forma exata da sua poesia: para a mãe, para o pai, para a irmã, para a tia, para o cão, para todos e tudo!…

O Giocar também soletrava alguma prosa, para a arte da pescaria, para armadilhas tecidas pelas suas mãos para apanhar pássarinhos, que depois soltava, e para o bolo mármore da madrinha cuja cobertura o lambuzava e que, sem o engasgar ou tirar-lhe o apetite, o deleitava e inspirava a soltar espaçadas e repetidas cogitações em voz alta:

” – A minha madrinha sabe fazer bolos muito bem! Como é que ela faz isto? Este é muito melhor do que os da bolos da “Dan Cake”.

E… chamava-a, contando histórias, partilhando ideias, festejando a vida:

” – Madrinha! Madrinha! Olhe lá…”

E…

Beijava-a com sílabas achocolatadas do seu delicioso “Milo”, também ele eleito único!…

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