A Petrinha e o Pedrinho – Opções e Acordos

– Pedrinho, estás tão pensativo! O que é que se passa?

– Estou cogitando, Petrinha!

– Cogitando sobre o quê? Queres partilhar, Pedrinho?

– Petrinha, ouvi o avô a pensar em voz alta, acerca da votação em França por parte dos luso-franceses.

– E então, Pedrinho? Estava irritado?

– Olha, Petrinha, o avô estava no… “Mete-me espécie”; foi o que ele disse, depois de um discurso com culinária e tudo.

– Conta, conta, Pedrinho!

– O avô dizia: “Olha-me para estes! Então não sabem que a candidata querer acabar com os emigrantes?!… E ainda querem votar nela?!… Venham para casa sem serem despejados!
Os lusodescendentes não admira! Esta malta nova sabe lá o que é o sabor de: um bom naco de pão alentejano, de uma broa de milho, de uns bons enchidos, de uma bela caldeirada, de um ensopado, de uma sardinha assada, a melhor da Europa, de um bom vinho das nossas castas?!…
E os pais?!… Já se esqueceram?
Isto… mete-me espécie!”

– Pedrinho, que narrativa! Conseguiste ouvir tudo, aposto!

– Acho que ouvi, sim, Petrinha! Mas… o mais giro foi a avó, que apareceu e disse-lhe:
” – Ó homem, não te rales com essas coisas! A vida não está para isso! Tomara que a nossa geringonça se aguente!”

– Boa, Pedrinho! A avó pondo sempre água na fervura.

– “Água na fervura”?!… Não percebo, Petrinha! Nem me cheirava a bacalhau cozido para a avó fazer uma açorda com a sua água a ferver. É caso para dizer: “Isto… mete-me espécie!”

– Ah! Ah! Ah! Pedrinho, “Pôr água na fervura” é um provérbio que quer dizer acalmar os ânimos; foi o que a avó fez!

– Ah! Não sabia, mas já aprendi, professora Petrinha! E se fôssemos ver o que se passa lá na cozinha, porque… já tenho a barriga a dar horas?

– Vamos, Pedrinho, antes que nos chamem para pôr a mesa! E… ao almoço, não abuses dos molhos [môlhos]!

– Descansa, Petrinha, que não abuso dos molhos [môlhos], mas vi dois molhos [mólhos] de coentros na bancada; só espero que um seja para a sopa de abóbora, e o outro para pôr nas saladas, uma de polvo, de preferência para entrada!

– Muito bem, Petrinho! Mas… cuidado com a linha!

– Linha do metro ou do elétrico? Ou ambas? Sou cuidadoso, Petrinha! Quando às outras: na linha do comportamento, às vezes ponho o pé fora; é só um, digo eu, e a linha da elegância, só cumpro à letra se, quer dizer, quando vier no Diário da República! Cá o Petrinho é um cidadão.

– Grande Pedrinho! Até podias ir para a televisão, porque certamente pronunciarias clara e corretamente, em bom Português: acordos [acôrdos] e não [acórdos].

– Obrigado, Petrinha! Manteria fechado “o” do plural de acordo, sim! Mas… o princípio da minha comunicação aos destinatários seria: “acordo-os!”

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