Estórias de Meninos – O Riel e o Pão

O Riel, além da sua fama, e proveito, de careiro na venda do peixe que adquiria na gandaia da ribeira, e no que o pai e os irmãos mais velhos apanhavam nas pedras, à linha, aumentando-lhe o preço, por sua iniciativa, para fazer o seu próprio e secreto mealheiro, tentava compensar esta sua falta e outras, como servir-se sorrateira e apressadamente à mesa posta para o pequeno almoço de uma senhora rica, enquanto o Léu negociava honestamente a sua pescaria, na cozinha, visando proveitos para toda a família.

Para ilibar-se das suas culpas, o Riel, um bonito, simpático e atrevido lourinho, herdeiro do delicado narizinho e da fina pele da mãe, enchia os bolsos, remendados por uma das irmãs, e escondia sob a camisola inúmeros nacos de pão, que angariava com “choros” de coitadinho, mais por vício “da pedincha” do que por necessidade, e não próprios para a sua idade, e à noite, quando regressava a casa, depositava-os orgulhosamente sobre a mesa, perante os olhares estupefactos dos pais e dos irmãos.

E…

Com este seu contributo, o Riel careiro, adquiria internamente o estatuto de “trabalhador”, que para os demais irmãos se tornava de pudor.

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