Archive for Março, 2017

A Praia da Vida
Março 14, 2017

O sonho é o desejo que amanhece!

O trabalho é o dever que fortalece!

A saudade é o amor que não adormece!

E…

Na praia da vida, o homem sonha, trabalha, ama, vive, sorri, chora e… cresce!

Sorriso do Dia – Acalmar o Coração Perdido
Março 14, 2017

Sorriso do dia é a carícia num rosto rasgado de dor da criança perdida no meio dos escombros da guerra, chamando pela mãe, é acocorar-se e ficar do seu tamanho, é limpar-lhe as lágrimas, é pegar-lhe ao colo, é abraçá-la até que sinta o bater do desconhecido coração sintonizado com o seu, acalmando-o, segurando fortemente na sua tímida, temente e trémula mão!

A Ilusão da Multidão
Março 14, 2017

A ilusão da multidão é o queixo encostado ao violino da solidão de bolsos despejados de afetos, de corpo pendente para o chão e de mão cheia e cerrada de tudo ou nada, de sim ou não, com sonhos voando na distância desbotada de um balão ao sabor de longínquas sinfonias de doce maresia e de tumultos de forte ondulação!

O Rumor e o Clamor
Março 14, 2017

O rumor é perturbação para a audição, e o clamor é chamamento do coração.

Sorriso do Dia – Um Beijo com Sabor a Milo
Março 10, 2017

Um jovem pai, respirando cansaço de quem já repetira mais uma dia de uma longa viagem de ida e volta ao volante, saía com um sorriso do carro donde uma menina bochechuda, que já sabe andar, choramingava, chamando-o, outra tirava a pasta.

Cá fora, outra menina de invulgar beleza, retrato do pai, e pele de seda, bem de família, com certeza, beijava beijava a prima, madrinha do seu progenitor, e ficava pasmava com as considerações amorosas que tecia ao que desde sempre fora o seu primeiro menino.

Surgiu, já de regresso da pastelaria ali em frente, a menina mais velha, esbelta e de olhos claros como a mãe, com um saco de pálidos papo-secos, e também ela sorria!

Um fugaz, mas intenso encontro, uma despedida apressada, porque a noite caia e era hora dos banhos e de tratar da pequenada, um beijo terno de madrinha-afilhado, repassado de carinho e regado por um saudoso suspiro:

– Porque é que este beijo me sabe sempre ao Milo que a madrinha me preparava?!…

Abraçar as Diferenças
Março 10, 2017

Abraçar as diferenças de género é reconhecê-las nas suas peculiaridades, aceitar a natureza da sua complementaridade, fundindo-se num só ser, aprender a viver sábia, sadia e satisfeitamente na harmonia, lutando, quando necessário, para a justa conquista da igualdade de oportunidades!

A Petrinha e o Pedrinho – Os “Verdes” e o “Génios”
Março 10, 2017

– Ó Petrinha!

– Diz, Pedrinho!

– Petrinha, não percebi bem por que é que o Zezé, que acabou o curso de Educação Física, e a Naná, a namorada, que já é enfermeira, dizem que são uns “verdes”, se são uns fixes! Os fixes cor?

– Ó Pedrinho, são fixes, sim! E têm a cor da alegria, mas são uns “verdes”, porque, como recém licenciados, ainda…

– Ainda não estão maduros, não é, Petrinha?

– Ainda… não são experientes, Pedrinho! Maduros diz-se em relação à idade, entendes?

– Hummm! Mas… são “verdes” como? Comeram alguma coisa que lhes fez mal? Não me digas que bebem uns copitos e têm os fígados a estragarem-se? Ou é por causa da crise do desemprego?

– Nada disso, Pedrinho! O Zezé e a Naná até já foram a umas entrevistas de emprego, mas vieram de lá “verdes”, de facto!

– Continuo a não perceber, Petrinha!

– Senta-te aqui, Pedrinho, e escuta-me! O Zezé foi tirar o curso para concretizar o sonho de ser professor numa escola, e a Naná queria ser enfermeira num hospital, mas não têm perspetivas nestes contextos.

– Coitadinhos! E as entrevistas foram para quê, se até os puseram verdes, Petrinha? Não deviam vir rosados, de contentes? Não percebo!

– Pedrinho, fecha a boca! Daqui a pouco estás a ficar… ver…de!

– Petrinha, não tem graça! E os “verdes”?

– Ora, Pedrinho! Verdes são os rostos do Zezé e da Naná perante a sua situação profissional: ele vai dar aulas de ginástica a seniores, no Município, a recibo verde; ela vai exercer enfermagem no lar da terceira idade, a recibo verde, o que quer dizer numa situação precária! Não achas que têm razão para serem uns “verdes”?

– Oh! Se têm, Pedrinha! E… se o seu clube for o verde, então, estão a jogar em casa, e ainda mais desanimados!

– Boa, Pedrinho! Mas o Zezé e a Naná são “uns verdes” muito otimistas; até estão satisfeitos por poderem trabalhar nas suas áreas, e até conseguem fazer da vida um arco-íris a acordar a esperança de novas perspectivas!

– Olha, Petrinha! Agora, além de gostar do Zezé e da Naná, até os admiro! Eles deviam era de mudar de nome: ele para Eugénio e ela para Eugénia, porque além de serem “bem-nascidos”, ainda ouviam a “ti” “Jaquina” e o “ti” “Gervaso” tratarem-nos por: “Ó Génio!” “Ó Génia!”, pois eles são uns génios, e nem têm mau génio!

– Pedrinho, surpreendes-me, grande génio!

– Não sou nada, Petrinha, mas… ouço umas coisas aqui, outras ali e… vou fazendo as minhas cogitações!

– Fazes bem, Pedrinho espertinho! Mas tem cuidado para não ficares…

– Verde! Já sei!

Ser Desejado
Março 7, 2017

Ser desejado é não impor a sua presença, nem a sua vontade, é ajudar prontamente o necessitado e o soberbo quando é solicitado, é saber escutar e aprender a estar calado, é ser candeeiro com luz de presença sem se fazer notado!

Estórias de Meninas – O Abracinho da Alicinha
Março 7, 2017

– Alicinha! Alicinha! Alicinha! – chamei com o coração a transbordar de alegria!

A menina voltou-se, sorriu e correu para mim de braços abertos!

Abraçámo-nos com a espontaneidade da primavera a despontar, beijando a terra, o mar, a vida!

Elevei-a no ar com a leveza das camélias, acariciando-nos com a imensidão do veludo das suas pétalas!

Continuámos abraçadas na sintonia definida nos esparsos encontros do dia a dia, talhada com o nosso secreto e intenso contacto repassado de carícias no ventre materno, sussurros de amor, sorrisos e gargalhadas, e até pedidos para ela não ouvir certas palavras que vinham de longe, carregadas de sal, alterando paladar da alegria com que a Alicinha era embalada!

Quando coloquei a Alicinha no chão olhámo-nos com a grandeza do Céu nos nossos corações, sorrindo com a felicidade de quem se conhece e ama desde todo o sempre, comunicando silenciosamente, perdendo-me na profunda doçura emanada do seu ser!

Ainda lhe consegui segredar:

– Estás quase a fazer anos; já falta pouco!

Ela concordou, acenando afirmativamente com a cabeça, sorrindo-me, beijando-me!

O irmão, que já lê para ela há algum tempo, e que no nosso primeiro encontro, ainda bebé, reagiu tão positivamente à minha presença, que a mãe apostou na minha pessoa como se ele não só me apresentasse, mas também me recomendasse, ao ver-me, também correu para mim, e abraçou-me.
Também lhe peguei ao colo e apertei-o saudosamente, tendo-lhe salientado que ainda podia com ele, mas não com a irmã mais velha, uma enorme adolescente que nos sorria, ao que ele se apressou a afirmar:

– Mas eu consigo!

A Alicinha e eu estávamos coladas ao chão, de frente uma para a outra.

Afastámo-nos, eu para abraçar a minha amiga, porque o autocarro não espera, ela para acompanhar a tia, que acenava à filha, e os irmãos.

A menina olhava para trás, mandava-me beijinhos, fazia-me adeus e sorria-me, deixando-me mais rica, alegre e feliz!

E…

Eu retribuía-lhe o inefável carinho, desejando ficar ali com ela, mas acima de tudo que ela fosse feliz!

A Distinção dos Topos
Março 6, 2017

Version 2

Há quem atinja os topos e desça e suba rampas com a mesma ligeireza, cumprimentando conhecidos e abraçando amigos como se todos os dias se sentassem à mesma mesa e partilhassem a vida, o pão e a solidão, e todos dessem a mão numa única roda onde as diferenças são elos de ligação.

E…

Há quem nos topos da imaginação se esqueça do abecedário do coração, e, sem memória, vai até colocando na boca de outrem a história, a recomendação e a lição que lhe foi dada doce, graciosa e gratuitamente numa bandeja com flores beijadas pelo seu irmão, baloiçando-se na ilusão do banco da solidão!…