A Petrinha e o Pedrinho – Os “Verdes” e o “Génios”

– Ó Petrinha!

– Diz, Pedrinho!

– Petrinha, não percebi bem por que é que o Zezé, que acabou o curso de Educação Física, e a Naná, a namorada, que já é enfermeira, dizem que são uns “verdes”, se são uns fixes! Os fixes cor?

– Ó Pedrinho, são fixes, sim! E têm a cor da alegria, mas são uns “verdes”, porque, como recém licenciados, ainda…

– Ainda não estão maduros, não é, Petrinha?

– Ainda… não são experientes, Pedrinho! Maduros diz-se em relação à idade, entendes?

– Hummm! Mas… são “verdes” como? Comeram alguma coisa que lhes fez mal? Não me digas que bebem uns copitos e têm os fígados a estragarem-se? Ou é por causa da crise do desemprego?

– Nada disso, Pedrinho! O Zezé e a Naná até já foram a umas entrevistas de emprego, mas vieram de lá “verdes”, de facto!

– Continuo a não perceber, Petrinha!

– Senta-te aqui, Pedrinho, e escuta-me! O Zezé foi tirar o curso para concretizar o sonho de ser professor numa escola, e a Naná queria ser enfermeira num hospital, mas não têm perspetivas nestes contextos.

– Coitadinhos! E as entrevistas foram para quê, se até os puseram verdes, Petrinha? Não deviam vir rosados, de contentes? Não percebo!

– Pedrinho, fecha a boca! Daqui a pouco estás a ficar… ver…de!

– Petrinha, não tem graça! E os “verdes”?

– Ora, Pedrinho! Verdes são os rostos do Zezé e da Naná perante a sua situação profissional: ele vai dar aulas de ginástica a seniores, no Município, a recibo verde; ela vai exercer enfermagem no lar da terceira idade, a recibo verde, o que quer dizer numa situação precária! Não achas que têm razão para serem uns “verdes”?

– Oh! Se têm, Pedrinha! E… se o seu clube for o verde, então, estão a jogar em casa, e ainda mais desanimados!

– Boa, Pedrinho! Mas o Zezé e a Naná são “uns verdes” muito otimistas; até estão satisfeitos por poderem trabalhar nas suas áreas, e até conseguem fazer da vida um arco-íris a acordar a esperança de novas perspectivas!

– Olha, Petrinha! Agora, além de gostar do Zezé e da Naná, até os admiro! Eles deviam era de mudar de nome: ele para Eugénio e ela para Eugénia, porque além de serem “bem-nascidos”, ainda ouviam a “ti” “Jaquina” e o “ti” “Gervaso” tratarem-nos por: “Ó Génio!” “Ó Génia!”, pois eles são uns génios, e nem têm mau génio!

– Pedrinho, surpreendes-me, grande génio!

– Não sou nada, Petrinha, mas… ouço umas coisas aqui, outras ali e… vou fazendo as minhas cogitações!

– Fazes bem, Pedrinho espertinho! Mas tem cuidado para não ficares…

– Verde! Já sei!

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