Estórias de Meninas – O Abracinho da Alicinha

– Alicinha! Alicinha! Alicinha! – chamei com o coração a transbordar de alegria!

A menina voltou-se, sorriu e correu para mim de braços abertos!

Abraçámo-nos com a espontaneidade da primavera a despontar, beijando a terra, o mar, a vida!

Elevei-a no ar com a leveza das camélias, acariciando-nos com a imensidão do veludo das suas pétalas!

Continuámos abraçadas na sintonia definida nos esparsos encontros do dia a dia, talhada com o nosso secreto e intenso contacto repassado de carícias no ventre materno, sussurros de amor, sorrisos e gargalhadas, e até pedidos para ela não ouvir certas palavras que vinham de longe, carregadas de sal, alterando paladar da alegria com que a Alicinha era embalada!

Quando coloquei a Alicinha no chão olhámo-nos com a grandeza do Céu nos nossos corações, sorrindo com a felicidade de quem se conhece e ama desde todo o sempre, comunicando silenciosamente, perdendo-me na profunda doçura emanada do seu ser!

Ainda lhe consegui segredar:

– Estás quase a fazer anos; já falta pouco!

Ela concordou, acenando afirmativamente com a cabeça, sorrindo-me, beijando-me!

O irmão, que já lê para ela há algum tempo, e que no nosso primeiro encontro, ainda bebé, reagiu tão positivamente à minha presença, que a mãe apostou na minha pessoa como se ele não só me apresentasse, mas também me recomendasse, ao ver-me, também correu para mim, e abraçou-me.
Também lhe peguei ao colo e apertei-o saudosamente, tendo-lhe salientado que ainda podia com ele, mas não com a irmã mais velha, uma enorme adolescente que nos sorria, ao que ele se apressou a afirmar:

– Mas eu consigo!

A Alicinha e eu estávamos coladas ao chão, de frente uma para a outra.

Afastámo-nos, eu para abraçar a minha amiga, porque o autocarro não espera, ela para acompanhar a tia, que acenava à filha, e os irmãos.

A menina olhava para trás, mandava-me beijinhos, fazia-me adeus e sorria-me, deixando-me mais rica, alegre e feliz!

E…

Eu retribuía-lhe o inefável carinho, desejando ficar ali com ela, mas acima de tudo que ela fosse feliz!

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