Archive for Janeiro, 2017

A Menina Azul – Os Gritos de Socorro da Infância
Janeiro 22, 2017

A Menina Azul

A Menina Azul quando ainda era uma criança e se encontrava doente, de cama, fazia silenciosos pedimos e fechava os olhos à espera de ouvir a voz de uma das suas jovens e grandes amigas: a Nita ou Nati, o primeiro lugar dos melhores remédios para a sua cura, incomparáveis aos deliciosos xaropes de cenoura e de bálsamo, tão do seu apreço.

Quando pressentia as suas presenças para visitá-la, ou se apercebia da aproximação dos seus silenciosos passos, ou o tom baixo das suas palavras, começava a chamá-las insistentemente, pedindo-lhes socorro:

” – Nita, Nita – ou Nati -, ai, Ai! Anda cá, que a tua menina vai morrer!” – e repetia até que se abeirassem dela, e novamente quando se iam embora e desprendiam as suas mãos, e as levavam quentes das carícias que faziam na sua cabeça e testa, afastando a sua franjinha!

Que especiais eram estas jovens, hoje ainda entre nós, e ativas, apesar de alguns sinais do tempo, que aliviavam e salvaram a Menina Azul, por quem ela nutre um inefável e infinito carinho!

Será que quando ela estiver prestes a partir deste mundo e chamar alguma, a sua poderosa presença adiará a despedida?!…
Que revisite aqueles momentos e… sorria como quando os seus sorrisos se encontravam, iluminavam o seu quartinho, e… a salvavam!…

Cicatrizes do Tempo
Janeiro 22, 2017

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As dores da infância são fragmentos de cristal com cicatrizes do tempo, às quais as tempestades levantam os mantos e descobrem baços reflexos de orvalhadas memórias, de quem sabe amar, tudo perdoar, sublimar!

Estórias de Meninos – Vencer pela Negação
Janeiro 22, 2017

Meninos

Era um menino alto e franzino com olhos celestiais, que tinha um secreto sonho!

Um dia, quando frequentava o ensino primário na terra que o vira nascer, a capital de uma antiga Província Ultramarina, o professor perguntou aos alunos o que queriam ser quando fossem grandes.

Quando chegou a vez do menino, cujos nome próprio e apelido eram vulgares, mas de grande significação bíblica, abriu o seu coração e respondeu:

“- Eu quero ser médico!”

O professor-carcereiro troçou do menino, humilhou-o, referindo até que a condição social do pai – um digno elemento da segurança pública -, riu-se, afirmando repetidamente:

” – Médico? Tu nunca vais ser médico!”

O menino, traído na confiança da sua revelação, arrepiou-se com a forma maldosa, depreciativa e desmotivadora do professor, sentiu-se chicoteado no mais profundo do seu ser, excluído, infeliz!…

Saiu da sala desfeito por dentro e envergonhado perante todos, soluçou a sua dor na solidão! E… depois da sua libertação disse em voz alta, permitindo-se dar uma ordem a si próprio:

” – Eu vou ser médico, sim!”

Esforçado em todos os aspetos, venceu as barreiras monetárias e sociais com o seu trabalho e o apoio dos pais, e… licenciou-se, tendo convivido com os primórdios do desenvolvimento da Dermatologia, pelo que era uma área que o distinguia.

E…

Assobiando, enfrentou muitas vicissitudes, exerceu com responsabilidade e dignidade a sua profissão, venceu, o Senhor Doutor.

As Ondas do Coração
Janeiro 22, 2017

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Alegra-te com o bem, felicita o honesto e legítimo sucesso, festeja a verdade, aplaude a justiça, acarinha a tristeza no rosto do outro, transforma as lágrimas em sorrisos, escuta sem interrupção, sem julgamento, sem acusação, não troces de ninguém, nem pises, nem atropeles os seus direitos, qualidades ou limitações, caminha semeando a paz, e abraça tudo e todos como souberes e fores capaz!

O Procópio, o Pirolito e a Língua Acordada
Janeiro 22, 2017

Menino Desenhor

– Ó Procopoizito-amiguito, já começaste o texto relativo aos “resistentes” ao (des)Acordo Ortográfico.

-Já comecei, sim, Pirolitozito-amiguito. E…, curiosamente, à medida que ia escrevendo, sentia fluir memórias de professores que também foram escritores.

– E então, Procópio?

– Então… não resisti a condivá-los para participarem neste tema, solicitando-lhes um pensamento incentivador, um pequeno presente para enriquecer o meu trabalho.

– Boa, grande Procópio! O AO bem precisa de ser revisto e melhorado! Ainda bem que a Academia vai tomar conta deste caso, que anda por aí envolto em nevoeiro neste Portugal cheio de luz, atrapalhadito com o pôr e não pôr, com “a-corda” e o “acordai”! Ai! Ai! Que triste fado o desta língua tão bem fadada!

– Que inspirado, de penas azuis na “testa” levantada, Pirolitozito-amiguto!

– Obrigado, Procopiozito-amiguito! A ti o devo, mas também é verdade que… que…

– Que?!… Desembucha, Pirolito!

– É verdade, Procópio, que estou sempre com o olho em tudo o que lês e escreves, e… com a tua licença, e sem ela, até meto o meu bico negrito onde não sou chamado. Modéstia à parte, aprendo tudo bem e depressa.

– Sincero, Pirolitozinho-espertinho! Apreciei.

– Obrigado, Procópio-Amigo, meu mestre! Mas… olha! Quando estou à janela também ouço as crianças da sala de estudo a fazer correções em voz alta, à medida que vão escrevendo: “já não se usa o “c”, por exemplo, e os manos do segundo andar desafiam a família com o “gostamos” e o “gostámos”, em tempo verbal diferente, sobretudo na hora da sopa…

– Ah! Ah! Ah! Muito bem, Pirolito-detetive! Voltando aos escritores. Confessa a Matilde Rosa Araújo: “(…) a infância encontrou-me quando comecei a ensinar. Encontrou-me e continuou no deslumbrado acontecer das aulas (…)”

– Procópio, isso é que é a grande sensibilidade e o reconhecimento da professora Matilde!

– Concordo, Pirolito! E esta frase de… Adivinha: “Não me basta o professor honesto e cumpridor dos seus deveres; a sua norma é burocrática e vejo-o como pouco mais fazendo do que exercer a sua profissão; (…) e o que importa, no seu juízo final, não é a ideia que fazem dele os homens do tempo; o que verdadeiramente há-de pesar na balança é a pedra que lançou para os alicerces do futuro.”

– Hum! Deixa-me cá ver! É de um professor muito filosófico, digo eu, mas… preciso da tua ajuda, Procópio-mestre, se faz favor.

– Sem Favor, Pirolitozito. É com gosto que te digo o nome do seu autor: Agostinho da Silva.

– Obrigado, Procopiozito-amiguito. Eu trago sempre comigo uma frase de um professor. Queres ouvir?

– Quero pois, Pirolito!

– Presta atenção, Procópio, ao professor Bento de Jesus Caraça: “Se não receio o erro, é só porque estou sempre pronto a corrigi-lo.”

– Que sabichão, Pirolito!

– Eu, sabichão? Não Procópio, o professor.

– O mérito é do professor, sem dúvida! Mas… o meu amigo Pirolitozito é um sabichão, sim, pois deduzo que traz sempre aquele trunfo na mão.
A propósito… estou a recordar-me de um trunfo a que Albano Estrela alude: “Eu penso que um dos grandes trunfos de que o professor pode ter é justamente a imprevisibilidade.(…)

– Muito bem observado, Procópio-amigo! Toca a abrir caminhos! Como é que dizia aquele poeta no seu Diário de professor de Português?

– Sebastião da Gama. E dizia: “A aula de Português acontece”.
Pirolito, para completar o meu trabalho, do qual só tenho, por enquanto, pequenos retalhos, citarei: Mário Dionísio: “(…) Salta as barreiras por maiores que sejam.
Caminha por mais ásperos que sejam os caminhos
Corre, salta!
És a vida. (…)”

– Gosto muito, amigo e mestre Procópio. E o termo, como será?

– Estou a pensar, Pirolitozito, neste impulso do Sebastião da Gama: “- Partimos. Vamos. Somos”

– Muito fixe! E… Procopiozito, levamos o Acordo já (des)acordado!…

A Grata Linguagem do Bebé
Janeiro 22, 2017

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Grato é o bebé amamentado, que sem segurar a cabeça arrota, dizendo e redizendo: Obrigado! Obrigado!

Estórias de Meninas – Os Cabelos e os Conselhos da Tia
Janeiro 22, 2017

Menina

Quando entraram na adolescência, as duas irmãs-amigas, uma morenita de olho esverdeado como o pai, e a outra lourita, de olho azul como a avó materna, escutaram os conselhos de uma jovem e expedita tia para cuidarem dos seus longos cabelos.

– Meninas, os vossos cabelos não têm graça nenhuma! Lavem-nos com sabão e passem-nos por água com vinagre; dissolvam umas gotas, apenas – declarava a tia de cabelos claros, curtos, encaracolados, muito bem cuidados.

As meninas olharam uma para a outra, riram-se e responderam à tia, em uníssono:

– Vinagre, tia?!…

– Vinagre, pois! Têm de lavar a cabeça à parte, já perceberam, não é verdade? Enquanto a casa de banho não estiver pronta, tomam banho no alguidar e lavam o corpo com o sabonete. Depois usam a bacia do lavatório de esmalte para verterem a água quente, lavarem a cabeça com o sabão, de seguida, enxaguam-no e por fim passam-no pela água com o vinagre.

– E o cheiro, tia?!… O cheiro?!… – perguntaram os cabelos louros a abanar, duvidosos.

– Não tenham medo, que não ficam a cheirar mal; pelo contrário, sentirão um agradável aroma a “lavadinho”. O cabelo terá mais brilho e durará limpo mais uns dias.
E… enquanto o tempo está bom, depois de uma bela esfrega com a toalha, acabem de secá-lo ao sol, passando com o pente; é uma sensação! E rápido!
Experimentem!
E… nada de cabelos em cima da tábua de engomar cobertos com papel vegetal, para passarem com o ferro e esticarem, ouviram? Só estragam o cabelo. E não precisam; já são lisinhos. Tomara eu!
Tenho de ir andando; preciso de acabar de bordar uns lençóis para entregar a uma noiva – concluiu a tia das meninas, afastando-se apressada.

– Obrigada, tia! – agradeceram as meninas, apertando as mãos, encolhendo os ombros, sorrindo!

Sorriso do Dia – O Pulsar do Puro Coração
Janeiro 22, 2017

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Na agitação do dia, desperta a vida na inocência do inesperado sorriso de uma criança que interrompe a sua corrida, beijando-me com a imensa luz dos seus olhos, perfumando-me com a doçura das pétalas de arco-íris saltitando do seu peito, abraçando-me com a intensidade de uma ousada onda de poesia borbulhando nas suas palavras:

– És tão bonita!

Sorriso do Dia – Saber Ser Feliz
Janeiro 17, 2017

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Saber ser feliz na liberdade da alegria, cumprindo a sua missão na poesia de um sorriso, pintando flores e espigas de amor na fúria do mar da tristeza, tropeçando na praia perfumada da secreta sinfonia da floresta do cúmplice silêncio!

A Tristeza Molhada
Janeiro 13, 2017

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A tristeza molhada é um buraco na areia salgada, dissolvendo-se no sorriso da clara madrugada, florindo chorões nos valados à beira da solitária estrada com beijos de mar azul-turquesa!