Estórias de Meninos – Diversões e Merendas

Meninos

Corriam, descalços, os meninos da minha aldeia pela costa com papagaios de papel, bolas de bexigas de porco ou de trapos, sonhos de berlindes nas algibeiras rotas para bens materiais onde os centavos não chegavam, brincavam nas pequenas praias, enquanto as suas mães lavavam nos rios, coravam e secavam a roupa, regressando a casa lá pela tardinha, honradas com a parca, mas preciosa ajuda dos seus meninos para carregarem alguma da pesada roupinha.

Ousados, os petizes, despiam-se, subiam às rochas e atiravam-se ao mar, mergulhando e emergindo triunfantemente, sendo sempre socorrido algum campeão aflito por um mais prudente, alcunhado de medroso, sentindo-se um desajeitado, mas tornando-se, num instante, num corajoso salvador.

Secavam-se com o sol e o vento, vestiam-se e iam apanhar camarinhas gordas, luzidias, branquinhas, daquelas que mostravam os caroços em forma de gomos de laranja, comparação que lhes fazia crescer água na boca – o pior era o efeito laxativo das ditas camarinhas…

Seguia-se a merenda que as mães preparavam: pão duro com marmelada, feita pelas suas carinhosas mãos, enrolado num guardanapo de pano, de renda embainhada nas noites frias, que os vivaços rapazes espetavam numa ponta de cana fixada no solo, deleite das trepadeiras formigas, que lhes não impedia de saciar o seu apetite – hoje, ainda há quem diga que quando olha para marmelada sente o gosto das formigas nos “beiços”…

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