A Douradinha do Avô Contador de Histórias

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Em tempos, contou-me o Chico Sabichão, homem muito inteligente e reconhecido na nossa aldeia pelas suas hábeis competências profissionais, que quando era miúdo, e corria, e mergulhava com meninos da sua idade, nuzinhos, nesta praia, situada nas proximidades dos rios onde as suas mães lavavam as roupas das suas casas e as das senhoras ricas, que um dia o meu avô contador de histórias, um homem enorme, de pés e mãos de gigante, corticeiro e carregador de peixe muito estimado e respeitado por toda a gente, salientava, estava à pesca com a sua cana mergulhada numa pequena poça deste privilegiado e privado local de banhos da malta.

Vivaços, os moços pequenos comentavam entre si o que é que ele esperaria apanhar ali, o que não escapou ao avô contador de histórias, que silenciosa e pacientemente aguardava que algum peixe mordesse o isco.

De repente, eis que o experiente pescador puxa pela cana, e salta, para espanto da moçada, uma bela dourada!

O avô contador de histórias retirou-a do anzol, olhou para os miúdos e disse-lhes:

– Já viram? O peixe não precisava de mais água para estar ali.

– Nunca mais me esqueci disto! – concluiu o Chico Sabichão, sorrindo como quem olha para o nascer do sol depois de uma noite mal dormida ou de temporal.

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