A Petrinha e o Pedrinho – O Dia do Chinelo Azul

Meninos no carrinho

– Ó Petrinha, sabes que dia era ontem?

– Dia 9, deste mês de Natal, sexta-feira, Pedrinho!

– Certo, Petrinha, mas também era o Dia do Chinelo.

– O Dia do Chinelo, Pedrinho? Nunca ouvi falar! Chinelo artesanal, certamente. Parece-me interessante! O chinelo dá uma sensação de liberdade a quem o calça, e suponho que gosto a quem o faz pelas suas próprias mãos.

– Muito bem, Petrinha! Eu também achei interessante ver nos dois supermercados em que entrei com a tia senhoras de meia idade com chinelos na mão. E todas se dirigiam à senhora mais idosa, que também andava às compras, mostrando-lhos, recomendando-lhos: “Olhe lá, que jeitosos! Vou levar para a bisavó, a velhota, mas parece que ela anda sempre com os pés inchados. Em vez de levar-lhe o 37, porque ela calça o 36, levo-lhe o 38, mas… talvez o 39 ou o 40 seja melhor. Olhe lá, que jeitosos, azulinhos, com pintinhas brancas e com estes lacinhos cor-de-rosa. Devia levar uns para sim.” – proferia a senhora risonha.

– Ah! Ah! Ah, Pedrinho! Que senhora amiga. Tens a certeza que não era funcionária do supermercado, incentivando as vendas?

– Não era nada, Petrinha!Eu já conhecia a senhora risonha; dá massagens à família com um unto qualquer e, na sua falta, diz ela, que a pasta de dentes de sabor e menta faz muito bom efeito!

– Ah! Ah! Ah, Pedrinho! Não imaginava! E depois?

– Depois, a senhora idosa, apoiada na sua canadiana, sorria e ia sempre andando; nem dava resposta. A neta, é que, para ser simpática ainda disse que os chinelos azulinhos, com pintinhas brancas e com estes lacinhos cor-de-rosa eram giros.
No supermercado vizinho, foi outra senhora, chamando-a pelo nome, mostrando-lhe uns chinelos também eles azuis, mas de plástico no exterior e cheios de pelo no interior, exibindo-os por dentro e por fora, dizendo que eram muito bons e por apenas dois euros e tal, número 39, um bocadinho grande, mas não fazia mal. “Ainda estão lá outros, só uns, número 38. Vai buscar para ti, que não te arrependes. Vai lá, não sejas parva!” – insistia.

– Ó Pedrinho, não era preciso chamar parva à senhora, coitada! O melhor seria ter-lhe oferecido os chinelos, já que eram tão bons e tão baratos, não achas?

– Acho, pois, Petrinha! Mas… também aquela parecia querer fazer negócio.

– Não digas essas coisas, Pedrinho. E a senhora idosa?

– Ora, Petrinha, a senhora idosa, empurrava o carrinho, parecendo entretida com os seus pensamentos, como diz o tio Francisco, e desta vez, nem sorriu. Mas, olha! Ainda disse à neta: “Não faço caso desta gente! Quem é que lhes disse que eu precisava de chinelos azuis?!… Não lhe passo cartão!”

– Que senhora independente, Pedrinho! E depois?

– Depois das compras, Petrinha, a tia estacionou perto da sapataria do cadeirão amarelo-laranja e perguntou à simpática senhora: “Tem chinelos de quarto azuis, para homem, e para criança?”
Vê lá se eu não tenho razão, Petrinha? Ontem era o Dia do Chinelo; Dia do Chinelo Azul!

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