A Minha Aldeia – Um Toldo destes Tempos

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Discreto e quase transparente na sua sombra perfurada, o toldo verde instalou-se nas ruínas da Poça da Maria Claudina, uma idosa e sorridente lavadeira, cuja “poça” – pequeno “rio” de água doce – onde desempenhava a sua função se situava sobranceira ao aprazível e natural praia-piscina, deleite do pessoal da terra dos “caramujos”, principalmente dos numerosos habitantes do bairro mais próximo deste privilegiado local, do que a conhecida praia de banhos, tão procurada pelos turistas nacionais e internacionais pela tranquilidade e transparência do seu mar com um colorido terraço de barcos baloiçando-se na baía, perfumes marinhos e aromas gastronómicos elevando-se no ar dos restaurantes sazonais.

Naquele dia, descera por um trilho quando descobri, surpreendida, mas sorridente, o toldo verde, do qual mantive a distância ditada pelo respeito dos seus ocupantes que, mantendo a tradição, levavam “o farnel” para passarem o dia todo na sua praia!

A paisagem, vítima da revolução industrial, já não é a mesma, já não há roupa branca a corar, cheirando a sabão, nem o ar que se respira sabe só a sal, se bem que no inverno o mar do Norte teime na sua força, levantando as suas asas brancas, borrifando os seus admiradores com espuma, erguendo a sua voz, e certamente se alegre nos dias de bonança pela homenagem dos seus fiéis apaixonados como estes saudosos turistas, fazendo-lhe jus.

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