A Árvore e as Gotinhas

a-arvore-solitaria-2014

– Olá, árvore solitária! Não sacudas as gotinhas que deixo cair sobre as tuas folhinhas, porque são umas pérolas muito fresquinhas, docinhas e… muito amiguinhas – saudou a faladora chuvinha.

– São umas gotinhas “chatinhas” – murmurou a árvore com a ajuda da brisa que por ali passava.

– Não digas que são “chatinhas”, árvore solitária, pois até são tuas amiguinhas: lavam-te as folhinhas e dão de beber às tuas raizinhas, e são tão pequeninas… – pediu, expedita uma gorducha gotinha, quase zangadinha.

-Hum! Hummm! – resmungou a árvore!

– Já viste pérolas sem serem, assim, redondinhas? Até parecem camarinhas! – insistia a chuvinha.

– Eu sei, chuvinha, que são muito pequeninas, mas eu gosto de chuva a sério – observou a árvore.

– Oh! Gostas de tudo grande? Estás habituada a ver as bolas de futebol no campo teu vizinho, por isso, não admira! Mas… estas pérolas são espelhos. Queres ver-te? Anda cá! Anda! Tão giro!

– Não vejo nada, chuvinha – respondeu a árvore, sacudindo as folhinhas.

– Olha lá para o teu sorriso com asas de alegria! E… tantas letras a voar! Podem ser… histórias de saber botânico, de imaginar coisas que não viste, nem ouviste, de encantar com fadas a voar! – continuava a chuvinha a gotejar sem se calar.

– Não vejo nada, chuvinha. Mas interesso-me muito por histórias. E… pensando bem, as tuas gotinhas até são muito úteis e algumas até conseguem deslizar como pérolas a fazer festinhas nas minhas folhinhas.

– Muito bem, árvore solitária! E… se alguma cair nos teu lábios, e fizer-te coceguinhas, podes sorrir, e… depois… até podemos falar.

– Não gosto muito de conversas; prefiro admirar o mundo, apreciar as pessoas, principalmente as crianças.

– Está bem, árvore solitária! Não te rias, mas… já viste alguma árvore ficar encostada e caladinha à espera de alguma coisa? Não! Pois não? E as conversas com os vento? As tuas folhas falam e bailam sem parar.

– Tens razão, chuvinha! Também nunca vi uma irmã minha encostada à sombra, porque as árvores é que dão sombra!

– Olha, árvore solitária, se alguma irmã tua não gostar das festinhas das pérolas, podes pedir ao vento para pô-las quietinhas nas camarinheiras das dunas, que elas ficam a cantar à beira-mar, e à noite falam com o farol – sugeriu a chuvinha, batendo palmas com as suas contentes gotinhas.

– Que bonito, chuvinha! As pérolas até podem convidar as folhinhas e saltarem à corda com os reflexos do farol!

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