As Brincadeiras da Nita e do Nito – A Apostinha

A Janela da Muralha

Naquele dia, o jogo de futebol entre o Nito e a Nita não tinha sido muito propício à menina!

– Estás muito distraída, Nita! – queixava-se o Nito!

– Pois! Estou, sim, Nito! Sonhei contigo, que ias para muitooo longe e que nunca mais te via! – lamentou-se a menina.

– Não vou nada, Nita! E Lisboa, que para já é o meu destino mais provável, é, como vocês dizem aqui no Alentejo: “Logo ali!” – argumentou o amigo.

– Que engraçadinho, Nito! Queres apostar? – desafiou a menina.

– Apostar o quê, Nitita, que Lisboa é logo ali? Aposto, sim! – gracejou o menino.

– Então, fazemos uma apostinha, mas como não vivemos no mundo das fadas com varinhas de condão, e ainda tenho o meu coraçanito aos pulitos, por causa de ti, Nitito, vamos à aposta com muitos esses, e outras letras do nosso alfabeto. – propôs a amiguinha.

– Não entendo, Nita! – suspirou o seu interlocutor.

– Hummm! Então será uma aposta de… jogo de palavras. Queres ver, Nito? – insistia ela.

– Hummm! Vamos lá ver, Nita, que jogo é esse, com muitos esses, que vais querer ganhar-me. – aceitou o Nito.

– Ora! Nito, é uma aposta saudável, porque acredito no teu empenhamento, e até no exercício que a tua responsabilidade te convidará a fazeres, menino espertinho! Basta… seguires… os meus esses, por exemplo! – acrescentou a Nita, divertida.

– Uma apostinha sucesso, Nita, em todos os meus projetos, despachos e empreendimentos profissionais, e outras coisas mais, porque realizá-los-ei com distinção. – afirmou o Nito orgulhosamente.

– Uma apostinha superior, porque vencerás tudo a que te propuseres, Nito? – perguntou a Nita.

– Claro, Nita! Eu sou como a minha águia: só jogo para vencer! – gabou-se o benfiquista.

– Lá vens tu com a bola, Nito! Queres que chame o teu primo leão ou que te deite fogo de dragão? – respondeu a simpatizante portista muito séria.

– Ah! Ah! Ah! Piquei-te, Nitita! Nada disso! Prefiro uma apostinha surpresa, porque és, minha menina-amiguinha, uma… quase mestra em criá-las no dia-a-dia com as invenções das tuas escritas! – apostou o amigo.

– Que engraçadito, Nitito! E eu prefiro uma apostinha sinfonia, tocando notas de energia, porque és um valente que… “aguenta-se!” – afirmou a amiga, rindo-se.

– Dizes bem, Nitita! Aguento-me, pois! Sou do melhor! Uma apostinha serenidade em ti, que respiras a calma com a tua sensibilidade! Não precisas de ficar corada, miúda! – observou o Nito.

– Corada, eu, Nito?!… É do sol a bater-me na cara, não vês? – justificou a Nita, apontando para o céu.

– Vejo, pois, Nita! Oh! Se vejo! Mas se o sol está a bater-te, vou já zangar-me com ele. Queres ver? – propôs-se o defensor da amiga.

– Ah! Ah! Ah! Não é preciso, Nitito-amiguito! Bater é uma forma de dizer. Apanha esta apostinha saca-rolhas, porque, enquanto não tens o queres, não descansas! – avançou a menina.

– Conheces-me bem, apostinha safira, de ideias preciosas, e grandes colhidas no teto do mundo, daquela cor… – constatou o menino.

– Que cor, Nito? – desafiou a “safira”.

– Não me piques, Nita! Sabes bem que estou a referir-me ao céu e à sua cor… – hesitou o “encarnadinho”.

– Azul, Nito! Azul, apostinha sabe-tudo, ou quase, porque quanto mais sabes, mais queres aprender, sabichão! – continuou a criativa apostadora.

– Obrigado, apostinha sedução, que a trazes a brilhar em ti como se fosse uma menina pela mão! – elogiou o Nito.

– Obrigada, apostinha semáforo, porque só “passa” quem e quando tu quiseres, seu mandão! – adiantou a Nita, gesticulando.

– Não percebi a última palavra que disseste, Nitinha apostinha sorriso dos secretos tesouros. – disfarçou o amigo.

– Não, ouviste, Nitito? Olha! – questionou, incrédula, a amiga.

– Estou olhando, Nitita! – brincou o amigo.

– Sinto aqui uma impressão na barriga. Sabes o que é? – disse a menina, apontando para o ventre, contraindo-se.

– Dor de barriga, Nita? Comeste alguma coisa que te fez mal? – preocupou-se o menino.

– Não, Nito! Mas vou comer uma coisa que vai saber-me e fazer-me muito bem. Queres uma apostinha que a minha mãe já tem aquele delicioso arroz-doce, que ela não dá a receita a ninguém, pronto a comer? Queres vir provar? – esclareceu a Nita, convidando o amigo.

– Nita gulosita, arroz, para mim, é de lapas com sabor a mar, mas… queres uma apostinha que vou aceitar o teu convite e provar esse arroz que até te faz cócegas na barriga, só de imaginar que o vais devorar?!…”Bora” lá! – aceitou o Nito, surpreendendo a amiga.

– Vamos, Nito! Aposto que vais gostar!

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