Archive for Outubro, 2016

A Constância do Amor
Outubro 27, 2016

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Não se esquece quem não aparece quando o amor permanece no coração em que acontece, e a saudade não o adormece!

A Riqueza da Autenticidade
Outubro 27, 2016

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Na fragilidade humana, vestem-se outras roupagens, pousa-se à espera de aplausos, encena-se o desejado papel alheio, viajando na magia do instante de quem não se sente, nem quer ser: jardineiro, marinheiro, cozinheiro, caminheiro, irmão-amigo do mundo inteiro, amante da vida, enchendo-a de alegria, de sorrisos, de generosidade sem ser escravo do dinheiro!

A Fragilidade da Fama
Outubro 27, 2016

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De que importa a pluma da fama que hoje te traz num trono de nuvens, que amanhã te enche a barriga de vaidade, e que, daqui a pouco, quase sem dares por isso, voa sem se despedir de ti, esquece-te e não sabe, nem quer saber quem tu és, de verdade?

O Ser Transparente
Outubro 27, 2016

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A transparência do ser veste-te de primaveras renascidas com espigas na lapela da dignidade, um lenço branco na mão para apanhares as lágrimas-pérolas que poder-se-iam quebrar no chão, um infinito sorriso brilhando no altar do coração!

O Eclipse das Palavras
Outubro 27, 2016

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Eclipam-se as palavras quando o vento da verdade cria um insustentável deserto!

O Entontecido Ginasta
Outubro 21, 2016

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Hirto e de leão vestido até à oculta juba, o presunçoso ginasta usufruía do equipamento público para fazer exercício físico, mas parecia entontecido sobre uma espécie de pião, bem posicionado para o mar profundo e muito calado, desobedecendo orgulhosa e ignorantemente à orientação bem na sua frente afixada.

A Minha Aldeia – As Priminhas à Coca do Carteirista
Outubro 21, 2016

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” – É um malandro!” – diz o povo, referindo-se ao surpreendente e rápido carteirista, que anda por estas bandas a arrancar desrespeitosa e violentamente as malas às senhoras da minha aldeia.

Este aflitivo e ameaçador alerta, levou as duas priminhas a decidirem sair de casa da tia-avó, antes que fosse mais tarde, despedindo-se apressadamente.

Na rua, começaram por comentar a insuficiência da iluminação pública, com candeeiros circulares, na zona por onde vinham, acentuando a escuridão do cair da noite.

Não se via ninguém, mas as primas optaram por falar baixinho, lançando os radares dos seus sentidos à volta, à espreita de algum ruído suspeito.

Procurando as ruas com mais luz, olhando de soslaio uma para a outra, lá vinham elas apressadamente: a jovem receosa, e a prima mais madura, tranquilizando-a, admitindo, entre sorrisos, os imaginários arremessos da arma de defesa: o saco de plástico com a caixa grande cheia de doce de gelatina com fruta aos pulos e uma tentadora e pagajosa cobertura, que seria uma belezura no arraso de uma aventura!…

Animadas e mais confiantes, chegaram à porta de uma, e a outra deu meia dúzia de passos para alcançar a sua, ambas ilesas, divertidas, vitoriosas!

Mas…

O malandro ainda anda à solta!

Gente Boa da Minha Aldeia – O Sorriso da Maria
Outubro 21, 2016

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A Maria, sorria, sorria, sorria!

“- A Maria gosta do que faz; a Maria é feliz!”- dizia, agradecida, pintando as palavras com sorrisos!

Sorria para a doçaria, indicando muitos bolos bons, da casa, pela nossa patroa muito bem preparados.

“- A Maria gosta do que faz; a Maria é feliz!”- dizia, agradecida, pintando as palavras com sorrisos!

Sorria para a bica de olhos azuis, que sempre a elogia!

“- A Maria gosta do que faz; a Maria é feliz!”- dizia, agradecida, pintando as palavras com sorrisos!

Sorria para a tosta espalmada, de pão de leite com queijinho dourado que nas bordas mal se via, e o fiambre nem aparecia, tal como a doce cliente queria!

“- A Maria gosta do que faz; a Maria é feliz!”- dizia, agradecida, pintando as palavras com sorrisos!

Sorria para o galão, simplesmente amornado, que o rubro lábio carnudo preferia.

“- A Maria gosta do que faz; a Maria é feliz!”- dizia, agradecida, pintando as palavras com sorrisos!

Sorria para o bule do chazinho que sem mel a aniversariante insistia, dizendo que se fosse pouco, mais água poria ou outro serviria!

“- A Maria gosta do que faz; a Maria é feliz!”- dizia, agradecida, pintando as palavras com sorrisos!

Sorria para o copo de galão com uma mimosa asa e um perfeito círculo de cascão de limão, muito fininho e com um dedinho de leite todo folião!

“- A Maria gosta do que faz; a Maria é feliz!”- dizia, agradecida, pintando as palavras com sorrisos!

Sorria para a senhora doutora a quem, por ser sua amiga, com o olhar emocionado e silencioso toda a generosidade e préstimos lhe (re)agradecia!

“- A Maria gosta do que faz; a Maria é feliz!”- dizia, agradecida, pintando as palavras com sorrisos!

E com a pastelaria inundada da sua alegria, acolhendo quem entrava e saudando quem saía, a Maria sorria, sorria, sorria e ainda dizia:

– Gosto de tudo isto, de andar a correr, de muitos clientes atender, e todos satisfazer, de pagar em coisas frias e de ficar a ferver!

O Banquete da Vida
Outubro 21, 2016

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A palavra não alimenta o rebanho que não conhece o pasto, em detrimento de uma causa em que a sua voz, também ela, se torna morta, em vez de água viva, fonte e alimento do iluminado banquete da vida.

Histórias de Fantoches – A Mariana, 2.ª Página
Outubro 21, 2016

mariana

A Mariana sentou a boneca, a Bibica, na cadeira de baloiço que o tio Paulo lhe fizera, abriu a janela, estendeu as suas mãozinhas para as gotas de chuva, sentiu as suas carícias com sorrisos, fez uma concha com ambas, esperou que ela a enchesse, lavou os olhinhos, o rosto e bebericou o resto.

– Que bom que é sentir-te no meu corpo, amiga chuva! Ainda bem que disseste à brisa para ir passear, senão borrifavas-me todinha como os repuxos da horta do tio João. Vais ficar por cá muito tempo?

– Não, querida Mariana! Só vim: regar os jardins; alimentar os campos, para as sementes crescerem e as raízes se saciarem; lavar a folhagem das árvores para respirarem melhor, porque estão cheias de poeira, e as casas, as ruas, as estradas; matar a sede dos animais; encher as barragens, para os homens terem água para todas as suas necessidades – respondeu-lhe a chuva.

– E vais passar cá o Natal? – perguntou a Mariana cheia de curiosidade.

– Não, minha linda e doce amiguinha! Tenho de viajar para outras partes do mundo onde também precisam de mim, mas ando sempre preocupada com a imprudência dos homens a conduzir, porque, se ainda estou a fazer o meu trabalho nas estradas, andam depressa, deslizam, provocam acidentes e culpam-me; se não apareço, aceleram ainda mais e o perigo é maior; uma preocupante tristeza! – explicou a chuva a chorar.

– Não fiques triste, amiga chuva! Não precisas de deixar que as tuas lágrimas caiam com força sobre as flores, porque magoas as suas pétalas, coitadinhas, nem que arrefeçam as pessoas que andam mal agasalhadas, nem que apaguem as fogueiras dos sem-abrigo! – suplicou a Mariana.

– Tens razão, Mariana! O melhor é limpar as lágrimas, senão causo danos e é muito injusto.

(continua)