Uma Alentejanita na Cidade Grande

escultura-lisboeta-2015

Um taxista muito idoso insistia em perguntar à cliente, depois de esta lhe ter dito qual o destino, onde ficava a rua e por onde queria ir…

E… ela pensava: “Ainda bem que o ti´Zé da Pipa e a ti´Maria da Ortiga não vêm à “cidadi”, se não lá teriam de sair mais uma vez de “carro de praça”, e ir dar ao sítio a “péi” pelas ruas que ele conhecia do tempo em que era magala, isto… se o povo não tivesse estragado tudo com a mania das modernices!”

A cliente-GPS deu as coordenadas ao taxista, mas o cansaço da idade “não o deixava chegar lá”, por isso resolveu referir uma avenida conhecida e um edifício famoso para sair, e… ainda lhe disse para ficar com o troco, receando que ele não soubesse fazer contas e perdesse mais tempo!…

Cantarolando muito baixinho, a alentejanita chegou ao seu destino, pisando alegremente as calçadas alfacinhas, parando obediente e provincianamente quando os semáforos lhe ordenavam, oferecendo a sua maçã ou suas bolachas em vez de uma moedinha, respirando gostosamente a cidade, pensando na pureza docemente salgada do perfume do seu mar e na maravilhosa unicidade da apertada largueza dos trilhos dos pescadores orlando a costa da sua aldeia…

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