As Estórias do Esu – O Barco de Fibra

Menino do Mar

” – Andei com o seu pai ao mar, no barco dele, durante muito tempo! Era um bom mestre, um bom homem! Quem não conhecia o Esu e quem não gostava dele?” – referia o antigo pescador com saudosa alegria”

E o companheiro de banco de jardim reafirmava, fazia suas as palavras que dançavam na folhagem das árvores, falava sobre o armazém, os bons bocados passados com ele, o peixe que repartia!…

” – O meu filho, que você conhece, ficou a cuidar no barco de fibra, que nunca mais se vendia, até que um dia apareceu por cá um homem do Algarve que queria comprar barcos, mas era para ficar com os papéis, as licenças para a pesca; levou-o quase dado.”

A interlocutora confirmava, entristecida pela dissolução do sonho do pai e mais ainda pela eterna saudade que a acompanhava.

E… como quem conta um conto de encantar, o Sr. Asal continuava:

” – A sua mãe acabou por dar o motor ao meu filho, ou pagou-lhe qualquer coisinha, já não me lembro! Foi mal empregado o destino daquele barco tão bom para o seu pai andar por aqui a apanhar um peixinho, se ele tivesse ficado por cá mais uns anitos.
Agora é o meu filho que não consegue vender o dele; um barco bom e por bom preço, mas ninguém lhe pega; o mar está seco; já não se pesca por aqui.” – lamentava o Sr. Asal

” – Bons tempos que passei com o Esu e outras pessoas! Grande amigo!” – salientava, saudoso, o outro Sr., que já perdera nas palavras o doce e alegre sabor do pão de milho que a mãe lhe dava e aos irmãos quando diziam que tinham fome.

” – Tenho pena de não a ver, muita pena, mas… os meus olhos…! – lamentava o Sr. Asal apoiado à sua bengala de invisual com uma distinta postura, lembrando-me Luís Borges.

” – Também eu tenho, Sr. Asal!” – expressou a filha do Esu, sensibilizada!

” – Não tem mais pena do que eu! Tinha-a conhecido logo, com certeza!” – , insistiu-se, despedindo-te com um: “Até qualquer dia! Olhe, também conheço a família toda da sua mãe, e é bem grande! Passe bem!”

“- Muito Obrigada! Tive muito gosto neste bocadinho! Obrigada! Passo por aqui um dia destes!” – despediu-se a filha do Esu, sentindo-se abraçada pelo pai nas sílabas que haviam saído do coração daqueles bons homens da sua aldeia de incontestáveis e grandes riquezas: o mar e as pessoas!

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