A Ninita e a Bibia – O Dia do Cão

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A Ninita e a Bibia foram à praia com a Didita.

À saída de casa, ao atravessarem o jardim, aproximou-se um cão enorme, que o dono, um encantador jovem da arte teatral desta terra de mar trazia por uma trela, que puxava.

A Bibia agarrou-se fortemente à Ninita, escondendo atrás de si, pedindo-lhe socorro, aflita:

” – Mana, não! Não! Mana, manaaa!”

O jovem artista sorriu docemente, e segurou para si o cão-amigo, tranquilizando a menina:

” – Não tenhas medo! Ele não faz mal! É grande, mas inofensivo.”

A Bibia continuava agarrada à irmã, encolhendo-se, ignorando o que ouvia.

Depois de o cãozarrão-cordeiro ter-se afastado, as irmãs e a Didita retomaram o seu itinerário, enquanto esta ia dando conselhos comportamentais em circunstâncias análogas, ao que a menina mais nova respondia repetidamente:

” – Mas… eu tenho medo! Tenho medo! Não consigo!”

Quando avistaram o mar, nem sombra do cão pairava no ar.

Chegadas à praia, a Ninita, a Bibia e a Didita poisaram as mochilas sobre a rocha-banco, que lhes parecia reservada no dia-a-dia, descalçaram-se e foram dar o seu habitual passeio.

Ao fundo, avistaram os irmãos Gugu e Branca, ele já aluno do primeiro ciclo e ela ainda menina do jardim infantil, correndo, saltando, entrando e saindo da água, brincando…

À medida que se iam aproximando, outro cão, tão corpulento como o que haviam encontrado no jardim, andava à volta dos irmãos, que se divertiam com ele, se bem que a menina mantivesse alguma distância.

A Bibia parou, e disse baixinho, apontando para o animal:

” – Mana, mana, mana!…”

Desta vez, porém, a menina seguiu as indicações dadas anteriormente e retomou a marcha com passo miudinho, vagaroso, inseguro.

Mas…

O cão circulava, corria atrás da pá que o Gugu atirava para longe e trazia-lha, perseguia os seus gestos e movimentos, obedecia-lhe como se estivesse numa exibição circense; depois pegava no balde da Branca, que lho pedia, e gritava com medo que não lho devolvesse.

Apercebendo-se da insegurança da Bibia, o Gugu tranquilizava-a:

” – É o Belo Amigo! Não tenhas medo! É o cão da ribeira. Come no armazém do meu pai. Anda cá, anda!” – acrescentava, chamando pelo cão!

O Belo Amigo abeirou-se do menino e ficou quieto, saboreando as suas carícias.

” – Faz-lhe festinhas, que ele gosta! Ele não morde, é o Belo Amigo!” – insiste o Gugu, dirigindo-se à Bibia, que continuava amedrontada e indecisa.

Mas…

Eis que a Branca, de lábios roxos, salgados, sobressaindo os seus olhos verdes, desiste de puxar pela cuequinha do seu biquini, que não parava de deslizar pelo escorrega do seu corpinho, enche-se de coragem e toca com as pontas dos dedos no pelo do Belo Amigo, retirando-os de imediato como se tivesse tocado numa brasa. Aplaudida por todos, a menina acaricia levemente a cabeça do cão com a sua mão…e… continua, tranquila, feliz!…

E…

Eis que a Bibia não resistindo aos apelos do Gugu, mais novo do que ela, que não se cansava de apresentar as meninas ao Belo Amigo, acabou por decidir-se a seguir o exemplo da Branca, primeiro a medo, como se estivesse a jogar às quentinhas, meio arrepiada; depois mais confiante, alcançando a sua grande vitória, ao fazer festinhas ao paciente cão, em vez de esconder-se sob o manto do medo à sombra da doce e protetora irmã.

A Ninita, a Bibia e a Didita continuaram o seu passeio até ao final da praia para ficarem mais próximas dos baloiços dos barcos, seguirem os cardumes e espreguiçarem os olhos sobre a serena e perfumada paisagem.

Mas…

O dia do cão ainda traria um problema ao Gugu, que correu para a Didita, já no regresso do trio, pedindo-lhe ajuda:

” – Prima, prima, agora o Belo Amigo resolveu fazer uma cova e esconder a pá da Branca. Não vês? Não vês? O que é que eu faço?” – dizia o menino, aflito, apontando para a enorme, entusiasta e incansável escavação do vigoroso cão.

” – Gugu, tens de desviar-lhe a atenção para poderes ir buscar a pá!” – respondeu-lhe a Didita.

Depois olhou à volta e viu uma garrafa de água vazia, que o mar empurrara para a terra, pegou nela e entregou-a ao menino, que sagazmente começou a chamar pelo Belo Amigo, indo ao seu encontro, exibindo o novo brinquedo, atirando-o para longe, incentivando-o:

” – Toma, toma, Belo Amigo!”

O cão correu atrás da garrafa e o Gugu retirou rapidamente a pá, que a ágil irmã se apressou a esconder debaixo da toalha.

Sorriram contentes e vitoriosos uns para os outros e despediram-se até ao dia seguinte!

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