Na Sala de Aula com a Vitória e o Vivaço – O Framar e a Garrafa da Urgência

Vitral da Praia do Gama, 2016

Naquele dia, a professora entrou na sala de aula com cara de poucos amigos.

As cotoveladas deram o alerta do mau humor de aluno a aluno, tendo como ponto de partida, por um lado, o Vivaço, pelo outro, a Vitória.

Fez-se silêncio, que a folha tirada do caderno do Vivaço com a legenda: “Sentido!” E que toda a gente sabia que no verso se lia: “Sentido ou não te safas!” tornou rígidas as posturas dos alunos, eles e elas!

O Framar, que antes de sair de casa se desculpara com: “O leite não se pode estragar” e bebera duas gordas e deliciosos canecas com o fortificante achocolatado Milo, e que já andara a dar uns chutinhos na bola do Zé Levanta o Pé quando atravessara o castelo, meia hora depois da aula ter começado, teve de dirigir-se à mestra:

” – Posso ir lá fora, Sr.ª Professora?”

– Agora não! Não podes perder a matéria. Fica quieto e presta atenção ao que digo – respondeu, seca e firme a professora.

O Framar ficou todo vermelho, encolheu-se e… pouco depois começava a mexer-se, evidenciando fazer um esforço. Insistiu no pedido, mas recebeu como resposta nova negação.

“Devia ter dito que estou aflitinho!”, pensou, considerando-se injustiçado, pois não se tratava de uma desculpa para ir ver alguma miúda ou se já chegara algum barco conhecido.

A professora estava elétrica; nem parava.

O Framar olhou à volta e viu uma garrafa de plástico vazia abandonada num banco. Conseguiu alcançada e… receando fazer má figura nas calças, utilizou a salvadora garrafa, tão discreto quanto possível, para seu alívio fisiológico. Quando a colocou no chão, discretamente, apercebeu-se de que a Bebel o observava, pasmada!
Fez um sinal de silêncio à colega, que baixou a cabeça em tom de concordância, facto que o tranquilizou.

Mas… a aula parecia não ter fim!

Num gesto de descontração, a Bebel esticou as pernas, e… a garrafa, que não tinha rolha, rolou, espalhando o seu conteúdo pelo soalho!…

” – Está o baile armado!” – sussurrou o Framar ao Vivaço.

Apercebendo-se da gravidade da situação e das suas consequências, o Vivaço escreveu no caderno: “Caldo?!…” Prepara-te!”

O Framar foi facilmente denunciado e punido com umas reguadas, que lhe doeram mais no coração do que nas mãos, pois, não obstante o seu procedimento: “De urgência!” como justificou à professora, esta não o ilibou de culpa!

A Vitória, quando viu a régua erguida, ainda intercedeu pelo colega, pedindo à professora para ele limpar a sala, em vez de…, mas calou-se quando a viu aproximar-se de si…

O aluno não se regozijou com o sucedido e ainda hoje o recorda com alguma tristeza.

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