Archive for Agosto, 2016

O Desamor
Agosto 27, 2016

Dança de Véus com Coroa Turquesa, 2016

O desamor é um repuxo de lágrimas, cantarolando desafinadas canções de amor rimando com dor, que abafam e apagam o calor dos afetos num deserto sem vida!

A Tempestade da Avareza
Agosto 27, 2016

Escorrega de Ondas, 2016

A tempestade da avareza é a noite fria de tristeza, despedaçando-se nos rochedos da cega soberba mal trajada de pacíficos desejos e com o coração rasgado de pobreza!

Gente Boa da Minha Aldeia – As Resistentes Manas-Amigas
Agosto 21, 2016

Beijos de Ondas, 2016

Bonitas, sorridentes, distintas, as manas-amigas foram sempre a admiração da gente da nossa aldeia!

Presentearam-na durante décadas com a sua educação, simpatia e qualidade no desempenho profissional, abraçando indiscriminadamente todos os clientes do comércio local, e os turistas, no atendimento da área comercial, mas em âmbitos diferentes!

Orgulho dos seus pais, familiares e amigos, viveram a radiosa felicidade do nascimento de uma fantástica criança que durante anos iluminou a vida e encheu de alegria os seus corações e dos amigos, bem como as casas dos pais e dos avós, até… ao dia da sua terrível e precoce despedida, acolhida no Céu pelo seu progenitor, a qual orvalhou de profunda e perene dor e saudade o seu dia-a-dia, e turvou para sempre de incompreensível e inaceitável tristeza os seus amiguinhos!…

Os anos foram passando e um dia, as manas-amigas, saíram ambas do berço perfumado do Menino de Ouro das suas vidas, para apoiar os idosos pais.

Um dia, o pai, homem rijo, sociável, corajoso pela água salgada que transpirava dos seus poros, sempre muito carinho com a Menina Azul, filha de um grande amigo, que o tratava por: “Sr. Pastilha”, pois desde tenra idade que, sempre que se encontravam, a presenteava com uma pastilha Rennie, indicada para a azia, cujo sabor a deleitava, e que festejava o seu aniversário no mesmo dia que ela, alguma vezes juntos, com a sua esposa, deixou para sempre os seus óculos de lentes grossas, que tornavam os seus olhos mais pequeninos do que realmente eram, mas as suas memórias e o eco da sua voz máscula, pausada e um pouco rouca ainda voam na brisa marinha…

A mãe das manas-amigas, uma senhora com porte de rainha, sempre cuidada no vestir e no penteado, num estilo simples e simultaneamente distinto, adoeceu há anos, acabando por ficar acamada.

Carinhosas, dedicadas e zelosas, de uma unicidade rara, as filhas passaram a dedicar a sua vida exclusivamente aos cuidados da mãe que vive pelas suas mãos e pelos seus corações, dirigindo-lhes sempre palavras de ternura sem um suspiro de desalento ou qualquer laivo de queixa, mesmo quando as forças lhes faltam, vencendo as suas próprias dores, o cansaço e as limitações físicas que os anos também lhes trouxeram com o um verdadeiro e exemplar amor!

Neste manto de amor paira uma certeza nas manas-filhas-amigas: se a mãe tivesse consciência, choraria de por elas, e quereria partir imediatamente, libertando as suas meninas de “trabalhos”, beijando-as e abraçando-as com a grata imensidão do seu grande amor de mãe!

As pessoas boas nunca estão sós, por isso, as manas-amigas vivem abraçadas por muitos corações pulsando com os seus!

Bem-Hajam!

A Negação da Idade
Agosto 21, 2016

Beleza Perene, 2014

Não é a idade que torna velho quem continua a crescer na sabedoria do dia-a-dia, mas a mentalidade empobrecendo pessoal e socialmente quem nega a realidade da bela riqueza da seara que amadurece, e se mascara exasperada e levianamente de inadequada e inoportuna jovialidade não vivida, mirando-se num espelho partido de Bela Adormecida, perdido nas marés da vida!

Sorriso do Dia – Abraços-Marés
Agosto 20, 2016

Mar Nosso, 2016

Infantes risonhos e robustos, ela e ele, abraçam-me repetida e interminavelmente com a inefável ternura que brota da fonte das suas essências, fazendo renascer espontâneos, recíprocos e cintilantes sorrisos repassados de renovadas e incessantes marés de alegria!

Estórias de Meninas – A Menina das Tranças e o “Rolo” para o Cabelo
Agosto 20, 2016

Menina

Um dia, o pai, muito zangado porque a filha das grossas e negras tranças se apresentara em casa sem elas, voltou-se para a menina mais nova, e disse-lhe:

– A sua irmã cortou as suas lindas tranças sem a minha autorização. Agora a menina vai cortar as suas, porque quem manda sou eu!

A menina das trancinhas castanhinhas fitinhas deu um pulo de contentamento, abraçou o pai, correu a comunicar a boa nova à mãe, que estava na cozinha, um espaço independente da “casa de família”, e apressou-se a ir ao popular e famoso cabeleireiro da sua aldeia.

Mas… a sua alegria encurtou-se como o seu cabelo, pois, não obstante tapar-lhe todo o pescoço, sentiu-se um tanto ao quanto despida.

Resoluta, pois não queria que os seus cabelinhos andassem espetados, e conhecedora dos truques das senhoras para andarem sempre penteadas e com a extremidade dos cabelos enrolados para dentro, agiu rapidamente.

Arranjou um pedaço de tecido velho, talhou um “chouriço” e coseu-o, exceto numa extremidade. Depois pediu licença à mãe para ir buscar areia branquinha a um medo (duna) próximo, e encheu-o, fechando-o com fortes pontos. Pôs nastros nas pontas e todas as noites agia como uma cabeleira especialista, prendendo o cabelinho no rolo, e atando-o no cimo da cabecinha para não cair.

De manhã, sem queixas de dores no pescoço, que nem os anos fizeram sentir, tirava-o, penteava-se e, com o cabelinho enrolado nas pontas, olhava-se para o pequeno espelho, sorria e deixava escapar um alegre e orgulhoso:

” – Linda!”

Passaram-se décadas e décadas, e ainda hoje a menina das trancinhas castanhinhas fitinhas mantém o nível do corte de cabelo e, mesmo pedindo à cabeleireira para o escadear ligeiramente atrás, preserva o seu estilo enroladinho para dentro, se bem que mais discreto!

O Julgador-Julgado
Agosto 15, 2016

Contrastes de Cores e Forças, 2014

Quem julga, pensando não ser julgado, está a julgar-se, condenando e condenando-se, cego e adormecido, coitado!

A Pobreza da Linguagem
Agosto 15, 2016

Bruma do Tempo, 2014

A pobreza da linguagem não reside na supressão das letras, nem na sua junção, nem no aumento de vogais, nem na troca das consoantes, nem na conjugação regular dos verbos irregulares.

A pobreza da linguagem reside na expressão do coração, arrotando fétida maledicência, afirmando difamação, negando uma palavra, um gesto ou um ensinamento de mestre de escola, enchendo, na comum limitação humana, a sacola do mau aluno de aprendizagem de trazer sempre à mão com retalhos de saber, que fugiram à razão!

A Atração da Bondade
Agosto 15, 2016

Abraço de Ondas, 2014

A boa pessoa, “legítima”, como se canta no coração do Alentejo, é a alma gémea de gente pura, expandindo o bem, a generosidade e a alegria no mundo, que abraça e beija na constância do seu ser, mas… também é um íman que atrai os menos bons, sedentos e famintos no seu perecer!

A Festa da Vida
Agosto 15, 2016

Aguarela da Natureza, 2015

A festa da vida é a celebração do amor, é o sorriso terno do coração, brotando no deleite do olhar, é o abraço renovado, forte e apertado de que abraça e se sente abraçado!