Gente Boa da Minha Aldeia – As Resistentes Manas-Amigas

Beijos de Ondas, 2016

Bonitas, sorridentes, distintas, as manas-amigas foram sempre a admiração da gente da nossa aldeia!

Presentearam-na durante décadas com a sua educação, simpatia e qualidade no desempenho profissional, abraçando indiscriminadamente todos os clientes do comércio local, e os turistas, no atendimento da área comercial, mas em âmbitos diferentes!

Orgulho dos seus pais, familiares e amigos, viveram a radiosa felicidade do nascimento de uma fantástica criança que durante anos iluminou a vida e encheu de alegria os seus corações e dos amigos, bem como as casas dos pais e dos avós, até… ao dia da sua terrível e precoce despedida, acolhida no Céu pelo seu progenitor, a qual orvalhou de profunda e perene dor e saudade o seu dia-a-dia, e turvou para sempre de incompreensível e inaceitável tristeza os seus amiguinhos!…

Os anos foram passando e um dia, as manas-amigas, saíram ambas do berço perfumado do Menino de Ouro das suas vidas, para apoiar os idosos pais.

Um dia, o pai, homem rijo, sociável, corajoso pela água salgada que transpirava dos seus poros, sempre muito carinho com a Menina Azul, filha de um grande amigo, que o tratava por: “Sr. Pastilha”, pois desde tenra idade que, sempre que se encontravam, a presenteava com uma pastilha Rennie, indicada para a azia, cujo sabor a deleitava, e que festejava o seu aniversário no mesmo dia que ela, alguma vezes juntos, com a sua esposa, deixou para sempre os seus óculos de lentes grossas, que tornavam os seus olhos mais pequeninos do que realmente eram, mas as suas memórias e o eco da sua voz máscula, pausada e um pouco rouca ainda voam na brisa marinha…

A mãe das manas-amigas, uma senhora com porte de rainha, sempre cuidada no vestir e no penteado, num estilo simples e simultaneamente distinto, adoeceu há anos, acabando por ficar acamada.

Carinhosas, dedicadas e zelosas, de uma unicidade rara, as filhas passaram a dedicar a sua vida exclusivamente aos cuidados da mãe que vive pelas suas mãos e pelos seus corações, dirigindo-lhes sempre palavras de ternura sem um suspiro de desalento ou qualquer laivo de queixa, mesmo quando as forças lhes faltam, vencendo as suas próprias dores, o cansaço e as limitações físicas que os anos também lhes trouxeram com o um verdadeiro e exemplar amor!

Neste manto de amor paira uma certeza nas manas-filhas-amigas: se a mãe tivesse consciência, choraria de por elas, e quereria partir imediatamente, libertando as suas meninas de “trabalhos”, beijando-as e abraçando-as com a grata imensidão do seu grande amor de mãe!

As pessoas boas nunca estão sós, por isso, as manas-amigas vivem abraçadas por muitos corações pulsando com os seus!

Bem-Hajam!

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