Gente Boa da Minha Aldeia – A Família Completa

Flores do Manuel da Fonseca, 2016

Era o tão esperado alvorecer, a bela menina cor-de-rosa com rosto de sereno sorriso, aconchegada docemente no amplo colo materno, mostrando-me, silenciosa e doce, os versos da sua existência, que uma foto, um mês antes, já me fizera agradecer ao Céu o deleite da sua existência numa explosão de alegria!

Era o caloroso, silencioso e demorado abraço com a pérola entre nós, selando o nosso primeiro encontro!

Era o interminável e imenso sorriso de uma mãe, iluminando o mundo, a quem oferecia mais uma criança, que um dia me “prometera”, repetindo o meu nome com ecos de sonho, que teria uma menina com o meu nome!

Era o cão de família, uma espécie de polícia à paisana com pêlo luzidio, averiguando a minha inocência com o focinho.

Era o sorriso do pai multiplicando-se na terna riqueza da diversidade dos outros três felizes infantes: o mais pequeno às cavalitas, o primogénito distinto na sua unicidade com o seu boné na cabeça, a princesa com uma franja igual à da mãe sobranceira à imensidão dos seus luminosos, sorridentes e falantes olhos de esmeralda, todos atravessando a rua alegremente como quem brinca, mas vigia, aproximando-se!

Era a graça de usufruir da partilha da maravilhosa família, trocando carícias bordadas de poemas de intenso amor com letras grandes e música nas palavras repassadas de felicidade no florido vigor da vida!

Era a cumplicidade da mãe e do pai, fundida num profundo e intenso olhar, que todos festejavam no elevar da taça da alegria, celebrando a vida com a abundância da vocação dos frutos merecidos da árvore estrelada, dançando ao sabor da brisa no transparente mar de amor, deixando pegadas na praia de luz com êxtase de gaivotas e canto de búzios, brincando com as conchas!

Era o sucessivo sopro de um suspiro materno, cingindo as dádivas do meio-dia da vida com um ardente e vitorioso abraço musicado de:

” – A família completa!”

Despedimo-nos, despedimo-nos, oferecendo reciprocamente flores do olhar com a sintonia do pulsar do coração, perfumando os pés suspensos no verdadeiro e doce conto de fadas!…

E…

Quando entrei na igreja reparei que a família completa enchia-a abençoada no secreto silêncio!…

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