Gente Boa da Minha Aldeia – O Amigo do Mestre Esu

Barco Branco 8, 2012

Estacionava a sua bicicleta com a dificuldade que sempre o acompanhou na sua precária mobilidade, não impeditiva de um longo e competente desempenho nas chamadas tarefas “de terra” nas embarcações do seu mestre, o Esu!

Escancarou as persianas dos seus enormes olhos verdes quando cumprimentou uma senhora, mas os seus lábios caídos de emoção balbuciaram:

– O amigo do mestre Esu morreu! Eram muito amigos! Já foi o funeral. Não sabia de nada, mas ouvi uma pessoa a dar os pêsames ao filho.

– Eram muito amigos, de facto! E primos! Cúmplices! Confidentes: partilhavam os sonhos que tinham para os filhos. O mestre Esu partiu há dezanove anos. Encontrar-se-ão noutra dimensão, espero – respondeu a senhora igualmente comovida, afastando-se…

Os olhos verdes nublados de saudade pelo seu mestre guardaram silêncio, cabisbaixos num corpo imóvel de visível e perturbadora dor!…

São os sentimentos que traçam a beleza de cada ser, que pintam as atitudes de perene primavera, que substanciam a existência humana independentemente do corpo que os transportam – cogitei!

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