A Ninita e a Bibia – A Mana-Golfinho

Praia de Memórias, 2016

O silêncio da praia quase desabitada baloiçava na voz doce de duas meninas, ao ritmo da suave maré vaza:

– Vamos dar um mergulho, Bibia? – convidou a menina maior.

– Vamos, mana! – responderam as sorridentes sardas da mais pequena, brilhando no biquini azul turquesa.

Afastaram-se da beira-mar, olhando para trás, demarcando uma considerável distância.
Pararam!
Entreolharam-se!
Sorriram!
Começaram a correr, mas… só a mais crescida mergulhou, emergindo rapidamente com um arrepiante:

– Está fria!

O biquini azul turquesa saltava seco, vitorioso.

– Quando mergulham têm de dar imediatamente duas ou três braçadas! – recomendava a senhora que serena, terna e alegremente as acompanhava.

– Não sei nadar aqui; só na piscina – desculpava-se a campeã Bibia, também pupila no “Resgate”.

– Quando fores nadadora-salvadora e vires alguém a precisar de ajuda, vais buscar a piscina para depois entrares e prestares auxílio? – brincava a senhora.

Risada geral.

Novo ensaio de distância para o mergulho de ambas, desta vez conseguido, mas os longos cabelos castanhos-escuros da Ninita, a quem a irmã tratava por Ninia, continuavam a puxar pelos também longos, mas mais claros cabelos da menina mais pequena.

– Vá lá, Bibia, anda comigo às bóias! Estão tão perto.

– Não vou, mana! A água está muito fria. Olha ali um peixe! Tenho medo!

A Ninita desafia a Bibia, deslocando-se rapidamente até à bóias e volta.

Insiste no convite, mas a Bibia só quer nadar até onde tiver pé, e fá-lo, rindo-se, refilando com a água fria.

Persistente, a Ninita propõe levar a irmãzinha sem que ela precise de nadar, jogo que a Bibia acho divertido, e segue rapidamente as suas instruções: deita-se sobre as suas costas e segura-se bem.

Prudente, a mana-golfinho nada devagar e vai pedindo à irmã:

– Segura-se bem, Bibia! Segura-te bem!

Chegaram às bóias e voltaram!

A viagem resplandeceu os seus rostos; repetiram-na, felizes!

O olhar atento da senhora sorri para as suas meninas-golfinhos, e também ela nada na transparência das tranquilas e frias águas repentinamente aquecidas com o amor de duas irmãs que se têm uma à outra, que partilham a riqueza da vida e a desfrutam – e pensa na triste solidão de quem não tem a felicidade do amor de um irmão…

Anúncios

There are no comments on this post.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: