Histórias de Fantoches – A Liliana, 2.ª Página

A Liliana

As arranhadelas, as suas, as do irmão mais velho, o Lino, as dos primos: o Lucas, e os gémeos, a Luciana e o Luciano, e das amigas: a Luísa, a Luzia, a Lucinda, a Lucrécia e a Ludomila era ela quem as tratava, lavando-as com água e sabão azul e branco, até ter acesso à água oxigenada, pintando-as com algodão embebido em mercúrio, ou pondo um penso.

Ao serão, a Liliana vestia uma camisa de noite branca ou uma blusa da mãe, punha um chapéu de tecido da mesma cor, que encontrara numa arca de roupinhas de criança, e começava o seu turno, como ela própria dizia:

– Boa noite, meus senhores! Estão melhores? Vamos começar os nosso tratamentos!

A esposa do Sr. Jorge, a D. Georgina, pode tirar os chinelinhos e colocar os pezinhos sobre o banco, para eu começar a fazer-lhe a massagem. Hoje trago um creme de morango – acrescentava, enquanto tirava a sua pasta de dentes do saquinho térmico, que a mãe lhe comprara para levar o lanche para a escola. Vai ver que amanhã já pode ir ao baile com o seu marido!

Ah! E estou a ver uma feridinha no braço da D. Luciana – referia, dirigindo-se à mãe, que olhava para o braço direito e para o esquerdo, sem encontrar nada. Já lhe faço o penso!

E o Sr. Luciano – apontando para o pai – está melhor da sua dor nas costas? Já vamos à nossa injecção. Parece que não gosta muito, mas não vai doer nada, porque eu sei dar uma boa palmadinha no rabiosque dos doentes.

Sr. Jorge, temos de fazer o nosso exercício para tornar as suas pernocas mais fortes. Hoje tem um lindo fato de treino, às riscas.

E tu, Bolinha, porque estás a coçar-te tanto? São umas pulguitas que a tua namorada te ofereceu? Eu já vou ver e pôr uma ligadura nova na tua patinha; até parece que andaste a jogar à bola.

Na escola, quando as enfermeiras iam vacinar as crianças, a Liliana levantava a mão e perguntava se podia ser a primeira, porque não chorava e sabia que as vacinas evitavam que ficasse doente; depois pedia para permanecer na sala, em vez de ir para o recreio.
Sentava-se o mais próximo possível das profissionais de saúde, observando cada gesto, registando cada palavra.

Nestes dias, chegava a casa particularmente feliz, dizendo que tivera uma aula de Enfermagem dada pelas “colegas-chefes” e que elas eram muito “sabichonas” e “fixes”.

(continua)

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