Uma Menina Azul e Um Menino Vermelho

A Ondinha Vaidosa, 2014

Era uma vez uma Menina Azul e um Menino Vermelho, que andavam identificados com o nome: ela na fita bordada de girassóis do seu chapéu azul-escuro; ele na pala do seu boné vermelho.

– Sabes, Menino Vermelho, depois do almoço ia a passar por ali, e ouvi chamar por mim.

– E quem era, Menina Azul?

– Uma onda!

– Uma onda, Menina Azul?!… E as ondas falam?

– Falam, sim, Menino Vermelho, mas nem toda a gente consegue escutá-las e percebê-las!

– Ohhh! Não sabia! E… o que te disse a onda, Menina Azul?!…

– Olha, Menino Vermelho, a onda pediu-me para lhe tirar umas fotografias.

– Umas fotografias, Menina Azul?!… Que onda vaidosa! Para quê?

– Também lhe perguntei, Menino Vermelho.

– Muito bem, Menina Azul! E… o que te respondeu a vaidosa da onda?

– Que as fotografias eram para entregar a uns miúdos seus amigos. E que a portadora seria uma gaivota.

– Ohhh! Mas, eu conheço-a, Menina Azul.

– Conheces, Menino Vermelho?!… Ainda bem, porque andavam por ali umas gaivotas a voar à apanhada, mas perdi-as de vista, e fiquei sem saber o que fazer.

– Não te preocupes, Menina Azul, eu entrego-lhe as fotografias da onda vaidosa.

– Muito obrigada, Menino Vermelho! E diz-lhe, se faz favor, que a onda também lhes envia uma mensagem.

– Está bem, Menina Azul! E qual é a mensagem?

– É uma mensagem que não percebo bem, Menino Vermelho, é muito pequenina: “Cá vos espero! Temos tempo!”

– Muito bem! Transmitirei a mensagem, Menina Azul! Mas… parece-me que eles têm algo combinado!

– Também achei, Menino Vermelho! Mas… eles é que sabem!

– Concordo, Menina Azul!

– Desculpa, Menino, mas a tua cor, Vermelho, é de envergonhadito?

– É, sim, Menina Azul! Não contes a ninguém! Mas também sou um águia!

– Combinado! Eu não conto! Mas… se as outras meninas me perguntarem, não posso prometer nada, porque as marés ensinaram-me a dizer a verdade, verdadinha! E talvez elas fiquem tão intrigadas quanto eu, que nunca ouvi falar, nem vi uma águia vermelha.

– Obrigado! E tu, porque és uma Menina Azul?!…

– Adivinha, Menino Vermelho!

– Não sou adivinho, Menina Azul!

– Então, cogita, Menino Vermelho!

– Está bem! Cogitarei, Menina Azul! E agora… vou!

– Obrigada, Menino Vermelho! Mas… talvez não precises de cogitar; basta olhares bem para mim, que sou igual à minha avó e ao céu. Olha! Podias mostrar os dentes?!…

– Mostrar-te os dentes, Menina Azul? Para quê? És dentista?!…

– Ah! Ah! Ah! Não sou nada, dentista, Menino Azul!

– Ainda bem! Já tenho uma dentista; é muito boa e bonita e… também é azul como tu, nos olhos!

– Ah! Ah! Ah! Olha lá para os meus dentes, Menino Vermelho envergonhadito!

– Estou olhando, mas… é para o teu lindo sorriso, Menina Azul!

– Obrigada, Menino Vermelho! Também… vou; se tivesse asas, é que o “voo” seria bem mais rápido e desfrutaria melhor da paisagem! Mas… sem ter-te visto os dentes, quer dizer, o teu sorriso!

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