A Minha Aldeia – De Manhã…

Baía Recortada de Cores, 2016

De manhã, respiravam as ondas adormecidas, mexendo-se no seu dourado colchão de areia fofa com penas de gaivota, passeando gotas rainha no seu trono!

De manhã, havia crianças na praia com balde desenhados de peixes-monstros, fazendo bolinhos na areia, e pirâmides enfeitadas com pedrinhas que as ondinhas lhes traziam.

De manhã, uma estrela do mar com sardas roxas chamava uma menina, que lhe pegou, e que a mergulhava sucessivamente na água, para não morrer, explicava a um Sr. que passava!

De manhã, chegavam as traineiras com grinaldas de gaivotas, carregadinhas de peixe, e quando encostavam, a sirene chamava os compradores.

De manhã, os mexilhões cresciam nas rochas escondidas, e os cardumes ziguezagueavam à nossa volta, alguns bebés ainda, outros tão transparentes como os saudosos ligueirões da baía, e os maiores, tainhas e robalinhos, dizia um marinheiro aposentado, filho da terra, tentavam os rapazes, e assustavam as meninas medricas.

De manhã, minha aldeia, permaneces nua na tua praia poisada nos ombros da poesia, que a brisa baloiça e a que vida tece nas prateadas malhas das redes com mãos calejadas de saudade, e nos joviais braços de esperança no sulcar das águas e na pescaria do novo dia!

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