A Pequetita e o Espigadote – A Varinha de Condão

Sombra, 2015

Pequetita – Espigadote, sabias que a tua pedrinha branca é a tua varinha de mágica secreta, e tem muitos nomes escritos em cada um dos seus condões?

Espigadote – Oh! Não sabia, pequetita! Pensava que era a minha força!

Pequetita – A tua força é um dos teus condões, espigadote!

Espigadote – Uma qualidade, queres tu dizer, pequetita.

Pequetita – Também é! Mas… a tua pedrinha branca é que as reflete para todo o lado! Primeiro, para ti, depois no teu caminho, nas pessoas e no mundo.

Espigadote – Ó pequetita, mas as varinhas mágicas não são de menina, das fadas?!…

Pequetita – Não, espigadote! As varinhas mágicas são de todas as pessoas especiais. Mas, as fadinhas como eram pequeninas e podiam esconder-se e aparecer em todo o lado, é que eram as donas, mas… isso foi há muito tempo!

Espigadote – Ah! Há quanto tempo, pequetita?

Pequetita – Antes dos descobrimentos! E… antes destas tormentas navegadoras… já o El-Rei D. Dinis queria cuidar nelas, por isso, mandou construir os pinhais para elas se refugirem, fundarem um reino, aproveitarem a resina para desenvolver a farmácia, e Portugal vir a ganhar o Nobel das mezinhas para a tosse, catarro e rouquidão.

Espigadote – Oh! Que rei inteligente e futurista! Mas o Nobel da Medicina foi para o Egas Moniz em 1949 e não foi nessa área, pequetita.

Pequetita – Pois, espigadote! Sabes porquê?

Espigadote – Eu sei, mas diz-me qual é a tua versão, se faz favor, pequetita.

Pequetita – Eu digo-te, espigadote! Porque as fadinhas só queriam ouvir o vento a assobiar-lhe aos ouvidos e… andar a brincar à apanhada com ele, que as agarrava pelas sais e pelos cabelos!

Espigadote – Oh! Que giro! Quem me dera ser vento e brincar com as fadas da modernidade!

Pequetita – O que é que disseste, espigadote?!…

Espigadote – Nada, nada! Continua, pequetita! Gosto muito de aprender!

Pequetita – Estás a ver?!…

Espigadote – O quê? Só vejo uma gaivota a andar aqui à nossa volta. E… olha, lá vai um avião.

Pequetita – Ah! Ah! Já mostraste mais condões.

Espigadote – Já? Não dei por nada! Quais?

Pequetita – Tens saberes, gostas de aprender e… és muito engraçadinho!

Espigadote – Achas, pequetita?

Pequetita – Acho, sim, espigadote! Porque é que pensas que és grande?!… Mas, voltando às fadinhas.

Espigadote – Boa ideia, pequetita! Com tantos condões, daqui a pouco a pedrinha branca parece um balão gigante!

Pequetita – As fadinhas dos pinhais de Leiria e de Azambuja também gostavam de estar deitadinhas a apanhar banhos de sol e a ouvir os passarinhos. Sabias, espigadote?

Espigadote – Estou pasmo! E… El-Rei O Lavrador não as visitava, pequetita?

Pequetita – Visitava, sim, espigadote! E… faziam piqueniques! El-Rei cantavas-lhe trovas, e elas ofereciam-lhe… pinhões com mel! E… também dançavam! Parece que D. Dinis ficava por lá à noite, no sossego, para se inspirar e escrever poesia.

Espigadote – Ahhh! Que bonito! El-Rei D. Dinis era um grande homem! Não é para qualquer um!

Pequetita E foi! Mas reza a História que a produção das mezinhas não chegou a concretizar-se! Sabe-lá porquê?!…

Espigadote – Que pena! Mas… El-Rei usufruiu dos prazeres dos pinhais e partilhou com
as fadas, pequetita! Que felizardo!

Pequetita – Sim, espigadote! Mas… as varinhas haviam de ser espalhadas pelo
mundo, e com elas as fadas saudosas do seu trovador!

Espigadote – Eu sei, pequetita! Seguiram nas naus! Foram descobrir mundo e por lá ficaram! Outras fadas, as que ficaram, não resistiram aos mouros e ficaram encantadas, enchendo a nossa terra de lendas, algumas com vestígios.

Pequetita – Acabaste de revelar o teu condão da História! E… tens muitos!

Espigadote – Não tenho nada!

Pequetita – A modéstia é outro dos teus condões!

Espigadote – Não é nada!

Pequetita – Espigadote, o teu nada é um mundo, tudo o que guardas na pedrinha branca, um espelho com o brilho dos teus tesouros!

Espigadote – Quais tesouros?!… Só se alguma moura deixou algum escondido no quintal! Deste-me uma ideia, pequetita! Tenho de indagar!
E… olha lá, não digas a ninguém que tenho uma varinha mágica! Podem pensar que é de fada, e… perco a minha reputação de legítimo lusitano!

Pequetita – Cogitando… Não direi, espigadote! Nem falarei nos teus condões a ninguém!

Espigadote – Obrigado, pequetita!

Pequetita – Não agradeças ainda, espigadote! Toma estas estrelinhas de alegria a saltar para a tua mão e este sorriso da varinha mágica do meu coração.

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