Cinco Minutos com a Pagizinha

A Pagizinha

A riqueza da Pagizinha é imensa! Estar cinco minutos com ela é uma calorosa primavera florida de alegria!

Abri a porta e fiquei à espera que ela subisse as escadas!

Vinha linda, a minha querida afilhada-amiga: doce, sorridente até aos aros dos seus óculos cor-de-rosa, que preservam a sua meninice de gente grande, saudosa no interminável abraço, atenta e perspicaz!

Mas a Pagizinha trazia consigo uma preocupação relativamente aos óculos, que me manifestou, elevando as sobrancelhas, curvando um pouco o peito com a ligeira dança dos ombros, fazendo pensativas pausas:

– Toda a gente me diz que os óculos me ficam bem, menos o (…). Ele não gosta! Qualquer dia, vou ter de mudar de óculos.

Sorri, cúmplice e impotente, perante tamanha decisão, para a qual não antevi concretização, pois a inteligente Pagizinha acabará por perceber que uma mera opinião não pode mudar o que está bem na nossa vida, neste caso, no seu rosto ou visual como se diz atualmente – seria como desarrumar a casa das suas filhas, quando tem tudo no lugar, ou tirar o verniz cor-de-rosa das unhas, de que ela tanto gosta, e pintá-las com um verniz incolor.

Entrámos na cozinha. Abri o frigorífico cautelosamente, pois o puxador partira-se momentos antes.

Expedita, a Pagizinha lançou de imediato uma sugestão, salientando as reais aptidões do pai:

– Porque é que não dizes ao meu pai para ele vir arranjar isto? Ele sabe fazer tudo!

A mãe aguardava-a e, com pena de ambas, a Pagizinha tinha de voltar para casa. Parou em frente ao elevador, olhou para mim, hesitante, aproximou-se dos degraus e disse-me:

– Vou por aqui!

Descia as escadas cuidadosamente, olhando para trás, sem se apoiar no corrimão, comunicando num tom que só nós ouvíamos:

– Podes ir para dentro. Eu conheço a minha porta!

Fechei a minha porta, depois de ter ouvido o mesmo gemido da sua!

O que a Pagizinha ainda não sabe é que depois de ela ter saído, olhei para a porta do frigorífico, retirei os fragmentos do puxador, pensando tentar colocar o suplente, mas… tive uma ideia muito mais prática e gira: peguei na ráfia que ela utilizara para o embrulhinho do folar que me oferecera, a qual tinha exposta num cantinho especial da cozinha, intacta, e consegui prendê-la aos parafusos.

Um fino puxador vermelho com um laço, tão original e feito por uma hábil e carinhosa afilhada, ninguém tem! – todas as vezes que abro o frigorífico sorrio para a Pagizinha, e penso que tenho de convidá-la para vir vê-lo.

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