As Fadas e o Fado

A Arte do Caetano, 2015

– Olá, Milo Meio-Dia! Já viste que eu tenho uma varinha mágica? Mas não é dessas de cozinha! É uma varinha mágica de fada!

– Olá, Mila Madrugadora! Mas eu não vejo nenhuma fada!

– Não, Milo Meio-Dia?!… Ohhh! Nem sentes um perfume?!…

– Hummm! Sinto, sim, Mila Madrugadora! Mas… parece-me vir da pastelaria! Até me faz crescer água na boca!

– Calma, Milo Meio-Dia! Calhando, a tua fada está a chegar! O perfume é que já se anuncia.

– Tens razão, Mila Madrugadora! Obrigado! De facto, a minha Felisbela tem mãos de fada! E que fada! É uma fada especializada no manejo de muitas varinhas mágicas!

– Ahhh! É Rainha das Fadas, Milo Meio-Dia?!…

– Não, Mila Madrugadora! É a minha Felisbelazita uma fadazita muito bem fadada!…

– Ahhh! Uma fada muito bem fadada, Milo Meio-Dia?!…

– Não, Mila Madrugadora! A minha doce Felisbela é o supremo encanto de uma fada do lar.

– Ahhh! Não sabia, Milo Meio-Dia! Retiro-me, então! Estão a chamar-me para o parque de diversões. Foi alguém que se engasgou com o algodão doce, certamente.

– Ohhh! Não me digas, Mila Madrugadora?!… Mas… já que falaste em fada. Diz-me, por favor, se ainda há fadas e se, porventura, existe alguma no meu país desfadado!

– Milo Meio-Dia, temo entristecer-te, mas as fadas do teu país emigraram com as andorinhas! Só ficou o fado!

– Ohhh! Mas, Mila Madrugadora, o fado vagueia lamuriando pelo mundo!

– Pois! O fado de tão triste e bem chorado-cantado, tocou o coração do mundo, Milo Meio-Dia!

– Não entendo, Mila Madrugadora!

– Eu explico-te, Milo Meio-Dia, mas … é um segredo fado-nacional!

– Vou guardá-lo! Conta-me tal segredo, por favor, Mila Madrugadora!

– Eu conto-te! O fado é uma fada do género masculino!

– Ohhh! Quem diria?!… Mas, Mila Madrugadora, só ouvi histórias de fadas boas e de fadas más!

– Histórias de outros tempos, Milo Meio-Dia. Agora vais ouvir falar do fado triste!

– Que tristeza, Mila Madrugadora! E… a Fada da Alegria?

– Milo Meio-Dia, a Fada da Alegria não quis namorar com o fado, porque ele andava sempre triste e dava uns beijos choramingosos!

– Coitadita! Devia ser uma grande tristeza, de facto! Não achas, Mila Madrugadora?

– Acho, pois, Milo Meio-Dia! O fado passou a chorar baixinho pelas esquinas do Bairro Alto, e de outros, e a fadar de tristeza as cordas da guitarra, da viola, e as cordas vocais dos que, perdidos de amores as acompanhavam com gemidos e gritos de desespero arrancados do peito!

– Ahhh! Que fado, Mila Madrugadora! Não gosto! E… a Fada da Alegria?!…

– A Fada da Alegria canta de manhã até à noite, uma vezes com brincadeiras criativas e divertidas, outras com segredinhos doces e coceguentos, mas sempre com beijinhos, beijitos e beijos; é uma beijoqueira, mas também gosta muito de danças de “tlim-tlim”, soltando estrelinhas sorridentes!

– Obrigado, Mila Madrugadora! Fiquei esclarecido.

– Milo Meio-Dia, levo o teu: “Obrigado!” para entregar à Fada da Alegria, e deixo-te uma baía a cintilar de sonhos ondulados de barcos azuis e brancos com nomes: da terra, do mar e de mulher, prontos para se fazerem ao largo!
Sorri, Milo Meio-Dia, e acredita que na imensidão do horizonte há uma manita de uma fadazita, que te acena com a varinha mágica do seu coraçanito!

– Muito Obrigado, Fada da Alegria!

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