As Brincadeiras da Nita e do Nito – A Menina-Sorriso e o Príncipe-Adormecido – 2.ª Página

A Janela da Muralha

– Calma, menino! Durante muitos anos, percorrestes o mundo, viveste muitas emoções, devoraste muitos prazeres, e cresceste, cresceste muito mais do que a barba grande que chegaste a ter, e que foi ficando mais discreta, sempre com uns piquinhos a mostrar que o Rei era um homem de barba rija.

– Oh!… Estou pasmo! Podias ser a minha cronista.

– Pasma andava a Branca de Neve, uma das guardiãs do Príncipe Sorriso Belo Adormecido, com o charme que ele derramava sobre as donzelas, as princesas, as burguesas, as altezas, as “odalascas” e todas elas, até que decidiu sarapintar-lhe a barba e o cabelo de neve!

– Oh!… Quem diria?!… Coitado!… Cogitei que a cor da Branca de Neve fosse a saudade do sorriso adormecido!

– Não, menino cogitador! A saudade é uma pétala de uma doce flor perfumada de pueris beijos, que voou da manita da menina do sorriso para o coração de verão do Príncipe Sorriso Adormecido!

– Ah! Vê lá que desconhecia! Cogitava que era uma manita a fazer cócegas.

– Menino, isso são cócegas do coração, saudades da juventude.

– Achas?!… Quem diria?!… Mas essas eu também sentia, e sinto! Mas, calhando tens razão!

– Claro que tenho razão, menino! A saudade é uma pétala de uma doce flor perfumada de beijos, fazendo festinhas no peito, mas tão carinhosas, que de tão doces e sorridentes, chegam a causar dor!
E…o Rei não sabia que era o Príncipe Belo Sorriso Adormecido!

– Oh!… Isso é uma coisa nunca vista, Clarinha-cronista! Já tinha chegado a Rei e não sabia que fora um Príncipe Adormecido? Coitado d´El-Rei! Não é justo!

– O que não é justo, menino, é não saberes que os Príncipes e as Princesas Adormecidos levitam, e também andam de boleia no tapete do Aladino, e não aceitam maçanitas das mãos das meninas, por causa da madrasta da Branca de Neve, nem provam os docinhos da cestinha da Menina do Capuchinho Vermelho, que anda sempre a cantarolar, por causa do lobo!

– Ahhh! Vê lá, menina, que também não sabia!

– Menino, mas eu sei quem és!

– Ah! Quem me dera poder dizer o mesmo de ti, Clarinha! Tens razão, devo ter sido alimentado com muito queijo; também não me lembro; só de comer pevides na terra do Gama, quando ia ao cinema.

– Eu conto-te, menino. No dia em que o sorriso da menina te tornou no Príncipe Sorriso Belo Adormecido, a deusa Tetis levantou-se da baía, estendeu as suas mãos de veludo iluminado e disse à lua, que, com o susto, até ficou azul:

“- Entrego-te uma missão: trarás o Príncipe Sorriso Belo Adormecido à menina do sorriso através do Infante filho deste mar, para que ela lhe devolva o sorriso com o seu sorriso, e ambos façam nascer sorrisos da fonte as palavras onde se encontrarão!”

– Ohhh! Que bonito! E… foste tu e o tal Infante que me ajudaram?!… Obrigado!

– Sim, Menino! Era a nossa missão!

– E… ele sabia?!… Mas, não me disse nada! Podia tê-lo feito! Sou o seu Rei! Amanhã ao almoço já lhas canto!

– Não o farás, menino! Confiei-te um segredo!

– Ora essa, Clarinha?!… Já um Príncipe Sorriso Acordado não pode dizer o que pensa?!… Não acho bem, mas… “tá” bem!

– Seria contra regra essa tua suposta atitude, menino! Poderias tornar-te um Príncipe da Água de “Bailão” e seres obrigado a bailar anos e anos!

– Clarinha, se fosse só com os ombros, bailaria com flores de verde pinho de todas as cores e feitios! Mas, sendo assim, prefiro ficar caladinho! Mas, afinal, onde é a tua casa?!…

– A minha casa é na hortinha dourada, menino!

– Desculpa, não és daltoniana?!… A hortinha é verdinha, e bem verdinha! E teu cabelo também, mas encaracolado!

– Não digas! Eu sei! Eu era uma linda princesa mourita, muito branquinha e de cabelos … cor de sãnnãriâ, o nome vulgar de Isfanãriâ, a que faz os olhos bonitos, porque os meus eram cheios de luz da baía ao meio-dia, mas o dragão azul queria casar comigo, e a águia vermelha encantou-me!

– Lamento a tua pouca sorte, mourita encantada! Mas, a águia fez muito bem! Ajudou-te! Libertou-te de tal destino! Precisas que um Príncipe te desencante?!…

– Preciso, sim, e muito! Estou cansada deste cativeiro de cabelo verde, que gosta de dormir ao relento. Fico toda despenteada; não é de princesa. E… já cumpri a minha missão para contigo! Mas, menino, tem de ser o Infante filho deste mar.

– Vou chamá-lo! É muito competente, generoso e certificado. Aguarda-o só um pouquinho, Clarinha do cabelo verdinho despenteadinho.

– Obrigada, Príncipe Sorriso Belo Adormecido-Acordado.

A Nita e o Nito entreolharam-se, desprenderam umas fortes gargalhadas e deram um abraço!

FIM

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