As Brincadeiras da Nita e do Nito – A Menina Sorriso e o Príncipe Adormecido, 1.ª Página

A Janela da Muralha

O Nito aproximou-se da Nita. Ela não sorriu como era habitual, mas dirigiu-se-lhe nestes termos, disfarçando um sorriso maroto:

– Olá, menino!

O Nito, entrando no jogo da amiga, respondeu-lhe:

– Olá! Quem és tu?

– Sou a tua amiga!

– És minha amiga? Mas,… eu não te conheço!

– Oh! Não digas isso, menino! Fico triste!

– Desculpa, menina! Não me recordo de ter uma amiga com o cabelo igual ao teu! Pintaste-o?

– Não, menino! Mas, realmente, não tinhas olhos para o meu cabelo! É giro, não é?

– Hum! É diferente! Muito diferente, menina! Da cor do cabelo das mouritas.

– Mas, não te lembras de mim, menino?!…

– Lamento, menina! Ajudas-me, s.f.f.?

– Está bem, menino.

– Menina, onde e quando nos conhecemos?

A Nita suspirou fundo e disse:

– Foi há muito tempo, menino! Ainda eras bebé! Conhecemo-nos na terra do Gama!

– Na terra do Gama?!… Aquele navegador que teve problemas com El-Rei por causa da (des)Ordem de Santiago e que foi expulso da sua terra, e que descobriu a Índia?

– Sim, menino! Sabes muitas coisas!

– Não sei nada! Mas… o que fazia eu na terra do Gama? Os meus pais levaram-me a banhos?!…

– Não, menino! Foste visitar os teus avós, conhecer a farmácia onde estava uma menina que já tinha dentinhos, que sorriu para ti, a quem fechaste os olhinhos, em vez de dizeres: “Olá!” com a tua manita; também foste à praia onde virias a viver muitas histórias com meninas bonitas…

– Ohhh! Como é que sabes?!… És a Florbela e estás disfarçada?!…

– Não sei quem é a Florbela, menino, mas tenho estes conhecimentos a teu respeito, porque nasci na terra do Gama, quase em cima do mar; se tivesse pernas de gigante, podia estar sempre com pés dentro de água! Era um cantinho muito lindo, com casas paralelas ao mar, de gente muito boa.

– Ah!… És a senhora da terra dos caracóis do mar?!… Mas, estás muito diferente!

– Não sou nada, menino! Sou a menina que sorriu para ti na farmácia, a Clarinha!

– Oh! Vê lá que não me lembrava, menina da terra dos caracóis do mar, a do Gama!

– Não admira, menino alfacinha! Eras muito pequeno! Mas, bem podias ter mostrado alguma alegria como as criancinhas fazem!

– Pois! Podia! Mas, devo ter ficado hipnotizado pelo teu sorriso e… adormeci!

– Dizem as estrelas da manhã que foi isso que te aconteceu, menino hipnotizado! E que ficaste conhecido nos Reino das Constelações, das Fadas e das Deusas do Mar e dos Rios como o Príncipe Sorriso Belo Adormecido!

O Nito denotou um esforço para conter um sorriso, mas continuou no seu papel de príncipe, agora acordado.

– Ah!… Não me digas?!… Vê lá que não sabia! E… depois, Clarinha?

– Então, ficou escrito no Foral do Pontal pela Estrela da Alegria que acordarias muitos anos depois, quando já fosses rei, com outro sorriso!

– Com outro sorriso?!… De quem?!… Voltei à farmácia?!… Diz! Diz! – insistiu o Nito.

(continua)

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