Quando Eu For Grande – Quinquagésimo Desejo

Menina Grande

Quando eu for grande, quero ser a sinfonia de cada dia!

Quando eu for grande, quero ser a melodia da dança das flores e tocar a sua beleza perfumada com o acordar de cada madrugada no berço doce da maresia!

Quando eu for grande, quero ser a mão dourada do sol, tecendo laços azuis estrelados de sorrisos, brilhando nos pueris rostos como fontes acariciadas pela brisa!

Quando eu for grande, quero ser a pintura da manhã renascida nas telas das paisagens com a claridade, e cantar a beleza de cada momento nas vitoriosas asas da liberdade, rolando na areia da praia nua com a voz de mar alto e a alegria das palmas de ondas, acordando o dia!

Quando eu for grande, quero ser a semente do saber na terra adormecida, acordar os gestos mudos e edificar obras com o ritmo cadenciado da corrente do labor, abrindo caminhos no saltitar cantante dos pássaros!

Quando eu for grande, quero ser a lanterna da aventura, iluminando as águas nas rotas secretas e únicas das páginas do Livro das Venturas, esvoaçando como gaivotas, sacudindo as gotas de orvalho, atravessando a neblina, cumprimentando as nuvens, abraçando os horizontes silenciosos do mundo com sentimentos de dia a acordar, flores a abrirem-se ao meio-dia, e globos de luar pela noite fora, oferendo frutos da terra, do mar e do céu!

Quando eu for grande, quero ser a pedra preciosa da escrita no rumor dos pinheiros dentro de ti, contar histórias de encantar, de verdade, de brincadeira, e tudo o que desejar, possa e queira partilhar com um sorriso repassado de mar!

Quando eu for grande, quero ser uma menina de vestido branco com bolinhas saltitonas, que só tu, criança, vês, e que brincam contigo, e que riem contigo, e que escrevem coisas de ti, para ti e contigo na dança malabarista da tua mãozinha pequenina, rechonchudinha e rosadinha!

Quando eu for grande, quero ser a luz do meio-dia e colher a gota orvalhada do teu olhar com o sol brincalhão, sentir o calor dos cristais espelhados nos reflexos lapidados do arco-íris da tua casa do ser, preciosas pérolas rolando docemente pelos teus dedos, carícias de sorrisos, anelos inspirados de verdade nos balões coloridos que juntos enchem o cálice da vida com embriagadores sopros de alegria.

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