Archive for Abril, 2016

O Prémio da Vil Supremacia
Abril 30, 2016

A Gaivota Solitária, 2010

A solidão é o prémio da vil supremacia, olhando para a saudade de olhos postos no chão, sem saber estender carinhosa, grata e humildemente a mão a quem lhe oferece um sorriso com o coração!

Encontros na Caminhada
Abril 28, 2016

Recantos com Segredos, 2010

Na caminhada da vida…

Pára serenamente, se sentires cansaço!

Fecha lentamente os olhos e respira fundo!

Escuta carinhosamente o pulsar do teu coração!

Segue sabiamente a voz da tua inteligência!

Canta alegremente a conquista de cada dia!

E…

Dança com as pétalas das palavras, simplesmente!

A Garrafinha da Pagizinha
Abril 28, 2016

A Garrafinha da Pagizinha, 2016

Um dia, quando visitei a Pagizinha e ela já me acompanhava à porta como lhe é habitual, a minha afilhada levou a mão à cabeça, deu um salto impulsionador de um grande sorriso, e pediu-me:

– Espera! Espera! Tenho ali uma coisa para ti!

A sua mãe e eu entreolhámo-nos cúmplices e silenciosas, estupefactas com a sua jubilosa espontaneidade e súbito desaparecimento.

De repente, como se tivesse asas nos pés, a Pagizinha já estava junto de nós.

Os seus olhos pareciam dois sóis radiosos de alegria, enquanto as suas mãos me estendiam orgulhosa e delicadamente um presente, que mais se me afigurou um troféu: esta linda garrafa, fruto da sua inspirada imaginação!

– Toma! Toma! – repetia, sorrindo, chamando pelos nossos sorrisos. É para ti! Toma! Leva e põe ao pé das outras coisas que fiz para ti!

Aceitei este tesouro com um grato, terno e prolongado abraço, feliz!

A vida está cheia de pueris delícias, e há fontes donde brotam cristais de luz talhados por Jesus nas pequeninas, hábeis e sábias mãos das crianças-gigantes na abundância de quem dá, enriquecendo quem recebe!

Muito, muito Obrigada Querida Pagizinha! Gosto tanto de ti, sempre! És o maior e o mais belo presente!

Na Sala de Aula com a Vitória e o Vivaço – A Joana Brincalhona e o João Sabichão, 2.ª Página
Abril 28, 2016

Contos de Criança

Joana Brincalhona – Ia pela Costa de Norte!

João Sabichão – O quê? O teu carro é anfíbio?!… O meu não, mas tem outras caraterísticas de que gosto muito, e que contribuem para o meu conforto!

Joana Brincalhona – És muito avançado, sabichão!

João Sabichão – Achas, brincalhona?!…

Joana Brincalhona – Acho, pois! O meu carro não é desses, mas mete respeito! Um dia, um miúdo meu amigo, dizia ele, nem o conduziu quando lhe pedi uma ajudinha!

João Sabichão – Então?!… Certamente, havia algum constrangimento! O teu miúdo-amigo, dizia ele, não tinha carta?!…

Joana Brincalhona – Mas, que grande adivinhão, João sabichão! O tal miúdo não tinha carta, mas também não podia conduzir, porque o meu carrinho é bué de pequeno, as mudanças não são automáticas e ele ficava com os pés de fora dos pedais!

João Sabichão – Ah! Ah! Ah! Não sou adivinho, menina Joaninha espertinha! Sou racional, cogito, deduzo! E… esse miúdo tinha todas as razões para não conduzir o teu carrinho-bebé!

Joana Brincalhona – És um grande engraçadinho, menino Joãozinho racional! Retomando a viagem!

João Sabichão – Obrigado! Retomemos, Joana brincalhona! Achas que eu caibo no teu carro?

Joana Brincalhona – Ia eu a andar muito bem sentada no meu carrinho junto à Costa de Norte, mais propriamente na via rápida, devagarinho!

João Sabichão – E?!…

Joana Brincalhona – E… de repente, caem-me os olhos para cima do céu…

João Sabichão – Ó Joana brincalhona, como é que os olhos caem para cima do céu?

Joana Brincalhona – Ó João sabichão, isto são jogos de…

João Sabichão – … Jogos?!… Não é poesia, Joaninha brincalhona?!…

Joana Brincalhona – Calhando, Joãozão sabichão! Os jogos de palavras rimam como uma mistura de salada de fruta com iougurte!

João Sabichão – Calhando! Calhando! Continua, então!

Joana Brincalhona – Então parecia-me que estava a cair uma caixa de lápis de cor do céu e a entrar pelas profundezas do mar!

João Sabichão – Estavas, portanto a ver o arco-íris, menina “comparadeira”! Também gosto!

Joana Brincalhona – Ahhhh! Ainda bem, menino “gostoseiro”! Mas, olha!…

João Sabichão – Olho para onde?!…

Joana Brincalhona – É uma forma de chamar a tua atenção, menino racional! Parecia-me que estavas a mirar os biquinhos dos sapatos daquela menina!

João Sabichão – “´Tá” bem! Não mirava nada! Estou atento à tua conversa!

Joana Brincalhona – Continua atento, se faz favor! No mar, estava…

(continua)

Sorriso do Dia – Bommmmmm Diaaaaaaaa!
Abril 28, 2016

Contornos do Alentejo LItoral, 2010

Olha para as nuvens gordas e felizes a sorrirem para ti!

Estende as tuas mãos e colhe o pimg-pimg das gotinhas de chuva, caindo da telha da Alegria, pedindo-te: Sorria! Sorria! Sorria!

Deixa a chuva miudinha refrescar-te com as suas carícias de veludo, beber o bafo quente da tua respiração com lábios de luz branca ao som das ondas do mar ritmado com o vento embalado nos pinheiros, convidando-te com vénias de criança para a dança da vida!

E…

Escuta o suave sulcar da tua traineira nas águas turquesa com peixes prateados de sucesso e cantos dourados de sereias, atravessando as barreiras de silêncio com ecos da tua vencedora voz, abraçando o mundo com um sorridente: Bommmmmm Diaaaaaaaa!

O Ser Dividido
Abril 28, 2016

Sulcos Rochosos, 2015

Estar dividido não é ser duplo; é não saber optar, não gerir o conflito pessoal, não ter coragem para não pisar o outro e ficar bem consigo!

A Perigosa Obsessão
Abril 28, 2016

Arremessos Arrepiantes, 2010

A obsessão cega a razão, rouba a paz e fere a alegria do coração!

A Voz da Mudez
Abril 28, 2016

Pôr de Sol em Janeiro, 2016

A mudez é a nudez da alma fria e distante!

Alimentar e Regar o Sofrimento
Abril 28, 2016

Mar Nosso, Alentejo, 2016

Não alimentes a tristeza para que não se robusteça, nem regues a árvore da dor com lágrimas para que não cresça!

Na Sala de Aula com a Vitória e o Vivaço – A Joana Brincalhona e o João Sabichão, 1.ª Página
Abril 27, 2016

Contos de Criança

A Vitória e o Vivaço tinham preparado uma brincadeira para o último dia de aulas antes da férias do Carnaval. Falaram discretamente com a professora, pois pretendiam surpreender os colegas.

Naquele dia, a aula já tinha começado; a professora parecia não ter notado a ausência dos dois alunos, mas a Julinha alertou-a:

– Sr.ª Professora, a Vitória e o Vivaço ainda não chegaram. É estranho!

– Não te preocupes, Julinha. Eles avisaram-me sobre o seu ligeiro atraso, cada um pelo seu motivo, claro! – respondeu a mestra, baixando o olhar e escondendo um sorriso. Vamos, então, continuar…

Mas… eis que entram na sala: uma menina de totós e roupa garrida, com uns enormes óculos cor-de-rosa, e um menino de camisa branca, calças e sapatos pretos e o cabelo muito bem penteado para trás e popa para o lado.

A turma, boquiaberta, mergulhou num profundo silêncio, que a menina de totós, de frente para o menino bem penteado, quebrou:

Joana Brincalhona – João sabichão, viste o que levei ontem para a tua terra?!…

João Sabichão – Não, Joana brincalhona! Nem te vi! Aonde é que vais?!…

Joana Brincalhona – Desculpa, não vês que estão a chamar por mim?!… Dás-me licença, se faz favor?!…

João Sabichão – Dou, claro!

Joana Brincalhona – Obrigada, simpático sabichão! Ia eu a responder-te: Pois! Nem eu a ti! Mas… como a tua amiguinha Nelinha diz que és muito inteligente, podias… podias ter … adivinhado!

João Sabichão – Adivinhado como, menina brincalhona?!… Sou muito racional!

Joana Brincalhona – Não sou nada brincalhona, menino racional!

João Sabichão – És, és! Então diz lá o que trouxeste para a minha terra, que eu não vi!

Joana Brincalhona – Eu conto-te! Mas, como és um menino racional, não sei se vais perceber.

João Sabichão – Percebo tudo! Conta lá!

Joana Brincalhona – Então, lá vai! Ia eu a andar muito bem sentada…

João Sabichão – Ó Joana brincalhona, explica-me, se faz favor, como é que se anda muito bem sentada?!…

Joana Brincalhona – Ia muito bem sentada, sim, João sabichão! E… tinha o pezinho no… pedal.

João Sabichão – O quê? Vieste à minha terra de bicicleta?!…

Joana Brincalhona – Achas, engraçadinho João sabichão?!…

João Sabichão – Podia ser, se tivesses… bicicleta, pernas e tempo para isso!

Joana Brincalhona – E… tenho, menos… a bicicleta! Ó João sabichão, não te esqueceste do capacete?!…

João Sabichão – Eu não me esqueço de nada, Joana brincalhona, mas não preciso de capacete! Gosto de liberdade, de deixar soltar os meus conhecimentos, do esvoaçar as minhas ideias!

Joana Brincalhona – Gostas de tanta coisa, João “gostoseiro”!

João Sabichão – Gosto, pois! Não posso queixar-me! Gostos, Joana brincalhona! “Gostoseiro” é giro!

Joana Brincalhona – Mas, eu ia muito bem sentada com o pé no pedal do acelerador do carro!

João Sabichão – Entendi, brincalhona! Obrigado! E… para onde ias a andar sentada?!…

Joana Brincalhona – Ó João sabichão, ia para a tua terra! E… posso dizer-te por onde, se quiseres ouvir!

João Sabichão – Quero, pois! Diz! Diz! Estou curioso!

(continua)