As Brincadeiras da Nita e do Nito – O Certeiro

A Janela da Muralha

A Nita suspirava, suspirava, cansada de esperar.

– Onde se terá metido o Nito?!… – cogitava.

Olhou para o relógio novamente.

Tirou o seu bloco e a esferográfica da sacola e começou a escrever.

Certo dia, um certo menino, sempre muito certo sobre o que pensava, dizia e queria, pelo que ficaria conhecido pelo “certeiro”, visitou um certo castelo que tinha os pés dentro de água, e que gostava de sentir certas cócegas de certos cardumes brincalhões.

O certo menino levava uma certa bola debaixo do braço, com a qual marcava certos golos, e na certa cabecinha um certo boné com uma certa águia na pala, que lhe escondia uns certos olhos!

Quando o certo menino entrou no certo castelo, olhou para uma certa amoreira e cogitou:

– O melhor é ir já apanhar uma certas folhas, se bem que pela certa não me esqueceria, mas estou certo de que o meu certo irmão, que está com umas certas manchas no corpito, sarampo pela certa, e não pode sair de casa certamente, porque diz o povo muito certo que aquilo pode descer pelo corpo e pode causar certos danos, salvo seja, ficará certamente muito contente, por ser certa esta minha gentileza, porque na certa vai alimentar certos bichinhos-da-seda, que tem num certo viveiro, mais propriamente numa certa caixa de certos sapatos, pela certa do pai, que tem cá uns certos os pés, os maiores da nossa certa casa – certamente os meus serão assim e… poderei dar umas certas passadas em todos os tipos de terreno do mundo – estou certo, certamente!

E… nesta certa cogitação, o certo menino aproximou-se da certa amoreira, esticou os seus certos e longos braços, colheu certas folhas, com um certo sorrinho de certa satisfaçãozinha na carinha, e foi colocá-las numa certa sombrinha de um certo recanto junto a umas certas escadinhas, que davam acesso a uma certa casinha.

Ao lado das certas folhas estava uma certa flor amarelinha, que estendeu umas certas pétalas em forma de certos braços!

O certo menino deu um certo salto de certo pasmado, e perguntou:

– Quem és tu?!… Nunca vi uma certa flor esticar-se nem ter braços!

Pela primeira vez, o certo menino ouviu uma certa flor a dizer certas palavras e foi tratado por…

– Certeiro, sou uma certa moura encantada com um certo encanto! Tive uma certa sorte: fui transformada nesta certa flor amarelinha! Estou certa de que não terás um certo medo desta certa mourita!

– Tu és uma certa mourita encantada?!… Por isso, tens essas certos braços?!… Hummm! Estás certa?

– Sim, certeiro! Há muitos e certos anos, mas tantos e certos anos!…

– Desculpa, certa mourita, estou a sentir uma certa sede!

– Queres beber, certamente, certeiro! Junta as tuas certas manitas! Consegues fazer uma certa conchinha, estou certa!

– Consigo, certamente, certa mourita! E…

– E… certeiro, de umas certas pétalas vão surgir umas certas gotas, que a pouco e pouco serão certo fio de água, que certamente…

– … vai jorrando e estou certo vai enchendo esta certa conchinha, certo, certa mourita?

– Certo, certeiro!

– Mas… certa mourita, estás certa de que essa certa água não me deixa ficar com um certo encanto?

– Não, certeiro! Tu nasceste fadado com um certo encanto, e ainda desencantarás certas mouras em certos castelos, mas… até lá, percorrerás certos mares por ti nunca navegados, certamente!

– Ohhh! Mas… se serei um certo marinheiro de certos mares atracado a certos portos, como chegarei a certos castelos?!… E… a água? É certo que poderei bebê-la?

– Estou certa de que sim, certeiro! Quanto à tua chegada aos castelos, saberás quando deverás apresentar-te!

– Ó certa flor amarelinha, certa mourita encantada, vou precisar de um certo aviso com alguns dias de certa antecedência, porque posso ter algum certo compromisso, certo?

– Certo, certeiro!

– Ó certa mourita, mas.. isso é um certo compromisso e… eu sou um certo miúdo, mas certamente livre!

– Sê-lo-ás, certo certeiro! E… viajarás pelo mundo certamente, mas… ficarás por certo sempre ligado a esta certa terra, e voltarás certo de sentimentos e com certas e grandes saudades!

– Certa mourita encantada, mas… não estou certo de cumprir esse certo destino! Mas… tu que tens certos saberes, sabes jogar à bola?

– Sei, certeiro, mas… como vês se permanecer neste certo estado não tenho certas pernas para correr atrás de certos pontapés na tua bola certeira!

– E posso dar-te alguma certa ajuda, certa flor mourita?

– Podes, certeiro! E… fica certo de que te darei certas recompensas!

– A sério que serão certas recompensas?!…

– Sim, certeiro, certamente! Mas… primeiro tens de dar-me um certo beijo, para quebrar o certo encanto e… ficar uma certa menina!

– Mas… isso dá-me um certo trabalho e… como diz a tia Florbela, muito certa, mete-me uma certa espécie, pois é certo que nunca beijei uma certa flor, nem qualquer outra, pela certa! E…

– E… estás com medo, certeiro?!…

– Medo?!… Não, certamente! Mas… e depois de certo desencanto tenho um certo receio de não estar certo sobre o que farei contigo.

– Ahhhhh! Certeiro, eu depois vou voar como uma certa gaivota.

– Então vou deixar de ver a certa flor amarelinha quando for uma certa mourita desencantada?!… E… se a certa for por certo bonita?

– Certeiro, eu voltarei, um certo dia, podes estar certo, se me desencantares, ou ficarei uma certa florinha amarelinha aqui certamente plantadinha!

– Preciso de um certo tempo para uma certa cogitação!

– Aguardo, certeiro!

– Bem, certa mourita, a minha certa cogitação diz que certamente o melhor é dar-te um certo beijo, a seguir darmos uns certos pontapés na bola, e…

– E… voltaremos a encontrarmo-nos, certamente!

– Certamente, certa mourita, mas uma coisa é certa, não podes dizer a ninguém, nem a Nita pode sonhar, que num certo dia te desencantei quando eras uma certa flor amarelinha com um certo beijo, porque… sim! Está certo?

– Certo, certeiro!

– Está certo, com certeza!

A Nita fechou o bloco com um sorriso! Viu o Nito na sua frente, deu um salto, e disse:

– Ai! Que susto, Nito!

O Nito riu-se e perguntou-lhe:

– O que é que estavas a escrever com esse ar tão divertido?

– Ora, Nito! Estava a escrever um certo texto em que um certo menino, o certeiro, entrou num certo castelo com uma bola debaixo do braço, e beijou uma certa flor encantada…

– Que engraçadinha, Nita! Deixa-me ver!

– Amanhã, Nito! Agora tenho de ir-me embora; é tarde! Olha, vai apanhar folhas de amoreira para os bichos-da-seda do teu irmão, e… vê lá se encontras alguma flor amarelinha… – respondeu a Nita, saindo, aos saltinhos!

– Espera, Nita engraçadinha! Vou contigo! – chamou o Nito, curioso.

Anúncios

There are no comments on this post.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: